5 razões pelas quais os maiores family offices do mundo já têm uma área de filantropia

Por Cristóvão Albuquerque, gerente de Consultoria da Sitawi Finanças do Bem

Nos Estados Unidos, muitos multi-family offices (como Brown Brothers Harriman (BBH), Braccia Capital e Cresset) oferecem há anos filantropia estruturada como um serviço central. Na Europa, o mesmo. No Brasil, quando as famílias chegam com esse tema, a maioria dos escritórios ainda responde improvisando uma resposta que merecia muito mais preparo e atenção.

Os escritórios que entenderem a importância da discussão vão ter uma vantagem real sobre os que continuarem tratando filantropia como assunto periférico. 

A seguir, cinco razões que explicam por que isso está acontecendo, e por que o Brasil não pode continuar ficando para trás.

1- A nova geração já chegou às mesas de decisão

O Great Wealth Transfer, a maior transferência de patrimônio da história, estimada em mais de US$84 trilhões nas próximas décadas, já está em curso. E os herdeiros que recebem esse patrimônio têm prioridades (e até valores) diferentes da geração anterior.

Em 76% dos family offices no Reino Unido, as conversas sobre sustentabilidade e investimentos de impacto são tipicamente iniciadas por um membro da família, quase sempre da geração mais jovem. E segundo o UBS Global Family Office Report 2024, um quarto dos family offices globais já está formalizando essa agenda por meio de políticas de impacto ou estatutos familiares. 

Para eles, acumular patrimônio não é suficiente. A pergunta que chega cada vez mais cedo é: “o que estamos fazendo com isso?” Essa pergunta, quando o escritório não tem uma resposta estruturada, cria um vácuo. 

Os escritórios que já têm uma área de filantropia estruturada conseguem conduzir essa conversa com método, dentro do próprio relacionamento com a família. 

2- Filantropia bem feita exige o mesmo rigor que qualquer outro investimento

Um family office de excelência não gera  investimentos no improviso. Tem processo, due diligence, critérios claros, acompanhamento de resultados. Por que com a filantropia seria diferente?

Sem estrutura, o que costuma acontecer é o de sempre: doações pulverizadas para dezenas de causas sem critério, organizações escolhidas por impulso emocional, recursos saindo sem que ninguém saiba se geraram impacto real. 

O problema é que os próprios escritórios reconhecem isso. O UBS Global Family Office Report 2024 revela que mais de 55% dos family offices admitem que a dificuldade em medir impacto com precisão os impede de alocar mais capital nessa direção. E 37% apontam a falta de dados e ferramentas de mensuração como seu principal desafio em sustentabilidade e impacto. A vontade existe. O capital existe. O que falta é método.

3 – É um diferencial competitivo (por enquanto)

No Brasil, a maioria dos family offices ainda não oferece filantropia estruturada. Isso significa que quem entrar primeiro tem uma janela real de diferenciação para atrair famílias que buscam esse serviço e para reter as que já estão começando a fazer essa pergunta internamente.

Essa janela não vai durar para sempre. À medida que o tema ganha tração, oferecer filantropia estratégica vai deixar de ser diferencial e vai se tornar expectativa básica das famílias. 

4 – Fortalece o relacionamento com a família por gerações

A filantropia familiar bem conduzida faz algo que nenhum outro serviço financeiro consegue: conecta a família em torno de valores compartilhados. Quando um escritório ajuda uma família a construir sua estratégia filantrópica — a definir causas, a envolver os filhos nas decisões, a acompanhar o impacto ao longo do tempo — ele passa a ocupar um lugar muito diferente no relacionamento.

Esse tipo de relacionamento tem uma característica muito particular: ele não muda de escritório na primeira comparação de taxa. Ele é construído ao longo do tempo, com confiança, e tende a perdurar por gerações — exatamente o horizonte que um multi-family office precisa para construir um negócio sólido.

5 – Os dados brasileiros já apontam para onde o mercado vai

Segundo o estudo Famílias de Alto Patrimônio: Investimento de Impacto e Filantropia (Sitawi, 2024), 83% das famílias de alto patrimônio no Brasil têm interesse no tema — mas 47% dos escritórios ainda respondem de forma reativa, sem processo ou estrutura.

Pesquisa da Sustainable Finance Initiative com representantes de family offices ao redor do mundo mostra que mais de 90% já alocam parte do portfólio em investimentos sustentáveis — e para quase 6 em cada 10, essa alocação representa pelo menos 10% do portfólio total. O UBS aponta que 73% dos family offices globais já estão engajados em investimentos sustentáveis, e metade planeja investir em tecnologias verdes nos próximos dois a três anos.

Como a Sitawi Finanças do Bem pode ajudar o seu escritório?

A Sitawi oferece um portfólio de consultoria em filantropia estratégica para family offices: da capacitação de assessores até a operação completa de um Philanthropy Department as a Service. Trabalhamos com escritórios que querem construir essa capacidade do zero, em parceria, sem precisar criar uma estrutura interna do nada.

Se esse tema já chegou ao seu escritório — ou você sabe que vai chegar — vale uma conversa. 

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