A agricultura regenerativa é um modelo de produção focado na recuperação da saúde do solo, no sequestro de carbono, no aumento da biodiversidade e na conservação dos recursos hídricos.
Diferente do modelo agrícola tradicional, a abordagem regenerativa fortalece a resiliência das lavouras frente às mudanças climáticas, buscando manter altos níveis de produtividade.
Em um cenário no qual a agropecuária representa cerca de 27% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil, impulsionar o manejo sustentável é essencial para atingir as metas de descarbonização e proteção dos ecossistemas.
Diferenças entre a agricultura regenerativa e a convencional
A principal diferença está na forma como o sistema produtivo é manejado. O modelo convencional costuma depender mais de fertilizantes sintéticos, defensivos químicos e práticas voltadas à manutenção da produtividade. Já a agricultura regenerativa busca recuperar as funções naturais do solo e fortalecer o equilíbrio do sistema produtivo.
Na prática, isso envolve medidas como cobertura permanente do solo, rotação e consórcio de culturas, menor revolvimento da terra, uso de bioinsumos e redução gradual da dependência de fertilizantes e defensivos sintéticos. Em estágios mais avançados, também podem ser incorporados sistemas integrados de produção e monitoramento contínuo da saúde do solo.
Benefícios da agricultura regenerativa
A agricultura regenerativa busca conciliar produtividade com recuperação ambiental. Ao melhorar a saúde do solo e o funcionamento do ecossistema produtivo, essas práticas podem gerar benefícios ambientais e econômicos ao longo do tempo.
Entre os principais ganhos estão a melhoria da fertilidade e da estrutura do solo, maior infiltração e retenção de água, aumento da biodiversidade, sequestro de carbono e maior resiliência a eventos climáticos. A transição também pode contribuir para maior estabilidade da produção e redução gradual de custos associados ao uso de insumos.
O desafio de financiar a transição para a agricultura regenerativa
Apesar dos benefícios, a transição para a agricultura regenerativa exige mudanças no manejo, assistência técnica e investimentos cujos resultados podem levar tempo para aparecer. Esse período gera riscos que os instrumentos tradicionais de crédito nem sempre conseguem absorver.
Entre os principais desafios estão a possibilidade de oscilações temporárias na produtividade, a exigência de garantias para acesso ao crédito, a percepção de maior risco pelas instituições financeiras e a falta de assistência técnica especializada. Além disso, produtores que adotam práticas regenerativas nem sempre recebem um preço maior por seus produtos, reduzindo o incentivo financeiro para assumir os custos da transição.
Case BDMG, CPI e Sitawi: como ampliar o acesso a financiamento no campo
Para enfrentar essas barreiras em Minas Gerais, o BDMG desenvolveu, no âmbito do FiCS Lab, o Fundo de Agricultura Regenerativa, com apoio técnico de CPI, Sitawi Finanças do Bem, GAAS e WayCarbon.
A Sitawi contribuiu para a modelagem e estruturação financeira do instrumento, desenvolvendo mecanismos aplicáveis à realidade do crédito rural.
O diferencial foi integrar, em uma única estrutura, mecanismos de redução de risco para cooperativas e produtores, considerando também as características do território. O Fundo de Agricultura Regenerativa do BDMG foi desenhado com três mecanismos interligados, articulados às linhas de crédito do banco:
- Fundo garantidor de crédito: reduz o risco assumido pelas cooperativas e permite ampliar o acesso a financiamento com menor dependência de garantias físicas.
- Assistência técnica: acompanhamento e capacitação para apoiar a implementação das práticas regenerativas e reduzir riscos técnicos durante a transição.
- Fundo de apoio à produção: apoio financeiro não reembolsável e condicionado para eventuais perdas associadas à transição.
O papel da Sitawi Finanças do Bem
A Sitawi atuou diretamente na estruturação financeira do Fundo de Agricultura Regenerativa, incluindo o desenho do fundo garantidor e de mecanismos complementares, a modelagem financeira e a tese de investimento, a elaboração do regulamento, o apoio ao pitch para investidores e o desenvolvimento de um framework de vulnerabilidade em biodiversidade, água, clima e comunidades.
Caminhos para financiar a transição sustentável
O case do BDMG demonstra que ampliar a agricultura regenerativa exige mais do que disponibilizar crédito. É preciso combinar financiamento adequado, mecanismos de mitigação de riscos e assistência técnica para criar condições para que produtores consigam realizar a transição.
Quer entender como estruturar soluções financeiras para viabilizar projetos socioambientais na sua instituição? Fale com a Sitawi.