Financiar a transição climática é, hoje, um dos maiores desafios do desenvolvimento sustentável. Só para recuperar áreas degradadas na Amazônia, no Cerrado e na Mata Atlântica, seriam necessários US$ 1 bilhão por ano até 2030, segundo estimativas da The Nature Conservancy. Em escala global, o cenário não é diferente: na COP29, realizada em Baku em 2024, os negociadores chegaram ao objetivo de alcançar US$ 300 bilhões por ano até 2035, com uma trajetória de expansão que pode chegar a US$ 1,3 trilhão anuais em fluxos climáticos totais.
O problema não é apenas o volume de recursos necessário. É também a forma como esses recursos circulam. Projetos socioambientais costumam apresentar uma relação de risco, retorno e liquidez muito diferente da que o capital privado tradicional está disposto a aceitar. Essa assimetria afasta investidores justamente das iniciativas que mais precisam de capital e é aí que o blended finance começa a ganhar espaço como resposta estratégica.
O que é blended finance
Blended finance, ou financiamento misto, é a combinação de recursos de fomento (capital público, concessionário ou filantrópico) com capital privado. Na prática, ele funciona como um mecanismo de ajuste: reduz riscos, reequilibra retornos e torna financiáveis projetos que, em condições normais de mercado, não sairiam do papel.
Essa estrutura se apoia em dois grandes pilares. De um lado está o capital catalítico, com origem filantrópica, pública ou de fomento, que entra nas fases de preparação, formação e desenvolvimento do projeto. É ele quem absorve parte do risco inicial. Do outro lado está o capital comercial, atraído para suprir a outra parte, mais alinhado às expectativas de retorno do mercado tradicional.
Vale reforçar: blended finance não é um produto financeiro específico, e sim uma estratégia. Ela reconfigura o equilíbrio entre risco e retorno para tornar projetos de impacto positivo viáveis, especialmente em contextos onde o crédito tradicional costuma não atuar.
Pilares que sustentam essa engenharia financeira
Na prática, as estruturas de blended finance se apoiam em três frentes de mitigação de risco, que atuam de forma complementar. Garantias e seguros de risco reduzem a probabilidade de perdas para os investidores e melhoram as condições de crédito. Capital concessional opera com regras mais flexíveis, absorvendo parcelas de risco para incentivar a entrada do capital privado. E a assistência técnica apoia os beneficiários na implementação dos projetos, reduzindo entraves operacionais e melhorando o desempenho financeiro e ambiental das iniciativas.
Juntos, esses três elementos permitem reconfigurar a estrutura de capital de um projeto de ponta a ponta, do desenho inicial até a maturidade necessária para atrair investidores comerciais.
Por que isso importa tanto para o financiamento climático
Os países desenvolvidos se comprometeram, em 2009, a destinar US$ 100 bilhões por ano aos países em desenvolvimento para ação climática. Essa promessa segue descumprida, e a lacuna de financiamento só aumenta. Diante desse cenário, instituições como G20, ONU, OCDE, Agência Internacional de Energia e diversas instituições financeiras de desenvolvimento passaram a enxergar o financiamento misto como uma das ferramentas mais promissoras para reduzir as lacunas de financiamento climático e dos ODS, mobilizando o capital privado que sozinho não entraria nesses projetos.
Os números do mercado confirmam essa relevância crescente. Segundo o State of Climate Blended Finance Fall 2025, o mercado global de blended finance mobilizou US$ 15,5 bilhões em 84 operações em 2024 — o segundo maior volume dos últimos seis anos. O clima segue como eixo central dessas operações, respondendo por 70% de todos os fluxos de investimento mobilizados entre 2019 e 2024, direcionados a iniciativas de mitigação e adaptação.
Há também um efeito multiplicador que vale destacar. Um estudo da iniciativa colaborativa Go!Blended mostra que, para cada R$ 1 em investimento catalítico, outros R$ 4 são originados em capital comercial. Esse efeito de alavancagem não só amplia o alcance dos projetos como gera impactos diretos na cadeia tributária, criando um círculo virtuoso entre arrecadação pública e impacto socioambiental positivo.
O desafio não é só financeiro
Especialistas do setor costumam apontar que o maior obstáculo do blended finance não está na engenharia financeira em si, mas na governança. Estruturar uma operação de blended significa reunir parceiros com culturas, prioridades e formas de trabalhar muito diferentes — bancos multilaterais, organizações do terceiro setor, investidores privados e filantrópicos — em torno de um mesmo projeto. Isso exige uma estrutura de governança robusta e, sobretudo, disposição para trabalhar em conjunto: nenhum ator, sozinho, tem capacidade de viabilizar projetos dessa escala e complexidade.
Esse é também um dos motivos pelos quais o blended finance tem se mostrado especialmente eficaz para dar escala a projetos de pequenos produtores e cooperativas, atores essenciais na transição climática, mas que dificilmente teriam acesso a financiamento por vias convencionais.
Colocando o blended finance em prática
Para financiar o desenvolvimento sustentável em sintonia com a Agenda 2030 da ONU, as estruturas de blended finance usam o capital catalítico de forma estratégica: primeiro para mitigar o risco dos projetos de impacto, depois para atrair capital comercial em escala. Cada ator entra com o tipo de capital que tem disponível e recebe, em troca, o que é mais relevante para sua estratégia — impacto socioambiental, retorno financeiro, ou uma combinação dos dois.
O desafio central continua sendo o mesmo: equilibrar risco e retorno para atrair o capital privado sem perder de vista a maximização do impacto. É exatamente para apoiar as organizações a superarem a complexidade da governança e da operação dessas estruturas que contar com um parceiro experiente faz toda a diferença.
Com mais de 18 anos de atuação na vanguarda das finanças de impacto, a Sitawi Finanças do Bem é uma parceira especializada no desenho e na gestão de estruturas financeiras robustas, assegurando total transparência e rigor na mensuração de impacto socioambiental. Nossa expertise engloba a governança de arranjos blended complexos, especialmente direcionados para projetos climáticos, além do acompanhamento de iniciativas em diferentes estágios de maturidade financeira, preparando-as tecnicamente para captar e receber investimentos de forma sustentável.
Diante da urgência das mudanças climáticas, engajar-se em mecanismos inovadores de financiamento deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade estratégica.
Quer entender como sua empresa ou organização pode construir e viabilizar soluções de blended finance para acelerar a transição climática?
