Como acontece a pesca sustentável do pirarucu na Amazônia?

O manejo sustentável da espécie respeita os limites da biodiversidade sem deixar de promover desenvolvimento socioeconômico. Saiba como o PTMJ contribui para alcançar este objetivo.

O Programa Território Médio Juruá (PTMJ) é uma iniciativa que possui diversos projetos socioambientais para o desenvolvimento sustentável da região, localizada em Carauari (AM). Uma das ações realizadas é o manejo sustentável do pirarucu selvagem. Ele é feito dentro dos limites de preservação estabelecidos pelo Ibama e utilizando estratégias que conservam a espécie e o seu habitat. O manejo também contribui para ampliar participação feminina na atividade, além de garantir governança para as comunidades do território. As ações do PTMJ são coordenadas pela Sitawi, contam com diversos parceiros estratégicos e são implantadas na ponta por organizações locais.

Por que o pirarucu?

Conhecido como o “gigante das águas doces”, o pirarucu é essencial para a manutenção do meio ambiente e também para as comunidades ribeirinhas. Esse peixe pode pesar mais de 200 kg e é encontrado nas águas calmas amazônicas. Durante a década de 80, a espécie foi alvo de intensa exploração, o que levou à sua extinção local em algumas regiões.

Mais recentemente, em 2004, o Ibama adotou uma metodologia que une conhecimento científico e conhecimento dos ribeirinhos para estipular limites sustentáveis de pesca. Assim, o manejo sustentável do pirarucu nos lagos amazônicos passou a respeitar os limites de cota, estipulado em 30% da população total de animais. O manejo é uma das diversas atividades realizadas para promover a conservação da biodiversidade e melhores condições sociais, econômicas e ambientais à população do Médio Juruá.

Como ocorre o manejo?

Coordenado pela Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC ), o manejo sustentável do pirarucu garante que as famílias ribeirinhas tenham renda e que o ecossistema seja preservado. Essa atividade envolve etapas definidas, entre elas: 

  • o zoneamento dos lagos em que o manejo pode ocorrer;
  • o monitoramento das áreas para que não ocorram explorações indevidas;
  • a contagem dos animais;
  • a pesca. 

As comunidades ribeirinhas têm autonomia para decidir como o processo de pesca e evisceração vai ocorrer. No geral, a captura dos peixes nos lagos e é seguida pelo transporte até uma base flutuante próxima. O tratamento para retirada de vísceras fica por conta das equipes de cada comunidade. No caso de Carauari, essa etapa é onde a colaboração feminina é mais presente.

Através do PTMJ, o manejo do pirarucu se tornou uma iniciativa de emancipação das mulheres ribeirinhas. Antes, as funções femininas na comunidade se limitavam aos trabalhos domésticos ou à roça. Hoje, a equipe de evisceradoras é essencial não só para garantir o manejo sustentável, mas para fortalecer a ideia de que as mulheres têm papel fundamental na geração de renda para o território, já que nas comunidades próximas esse trabalho é feito apenas por homens. 

Principais resultados

O PTMJ está em sua segunda fase, que se iniciou em meados de 2021 e vai até 2024. Na última temporada de manejo, que aconteceu em 2021, foram produzidas mais de 90 toneladas de pirarucu. Com isso, 209 famílias em 17 comunidades do Médio Juruá foram beneficiadas pelo projeto e obtiveram recursos para transformar suas realidades. A governança é um tema de extrema importância no território. É através dela que a participação popular é estimulada nas atividades, garantindo que os habitantes prosperem economicamente. 

Além do impacto social positivo, o meio ambiente é diretamente beneficiado pela atividade realizada. As práticas do manejo sustentável do pirarucu evitam que a própria espécie seja explorada, mas também contribuem para a proteção de outras espécies, como os quelônios, impulsionando a conservação da biodiversidade. 

O PTMJ conta com a USAID, a Natura e a Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) como parceiros estratégicos. A Aliança Bioversity/CIAT participa como parceira institucional. Além disso, seis organizações comunitárias locais são parceiras implementadoras da ação (ASPROC, ASMAMJ, AMECSARA, AMARU, CODAEMJ e ASPODEX). O programa conta ainda com apoio do ICMBio, Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) e OPAN.

Quer saber como essa e outras atividades do Programa Território Médio Juruá têm transformado a vida da população local? Confira o relatório com os resultados do primeiro ano da segunda fase do programa.

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