Projeto fomenta fundo solidário, gestão e desenvolvimento coletivo para beneficiar grupos indígenas no Mato Grosso

Desenvolvido pela Associação do Povo Indígena Zoró Pangyjej – APIZ, o projeto Man Gap vem desenvolvendo atividades que promovem desenvolvimento sustentável e fortalecem a economia nos territórios indígenas dos Povos Zoró, Apiaká, Kayabi e Munduruku no Mato Grosso.

Entre os avanços do projeto, destaca-se o início da construção de uma fábrica de beneficiamento de castanha na Terra Indígena (TI) Apiaká-Kayabi, a estruturação do Fundo Rotativo Solidário Indígena, um Seminário de Gestão Organizacional e o desenvolvimento coletivo de planos de negócios e identidade visual para produtos da castanha do Brasil produzidas nos territórios. Todas essas ações fazem parte do Projeto Man Gap, da Associação do Povo Indígena Zoro Pangyjej – APIZ, inserido no subprograma de Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais do Programa REM-MT.

A estruturação do Fundo Rotativo Solidário Indígena é conduzida pela Sitawi Finanças do Bem e desempenha um papel fundamental para o fortalecimento da cadeia de valor da castanha da Amazônia nesta região do projeto. Uma vez aprovado, o Fundo contará com o aporte inicial do Programa REM MT para sua operação e para o primeiro ciclo de empréstimos. O objetivo é apoiar as organizações produtivas das comunidades a longo prazo, promovendo sua autonomia financeira e sustentabilidade em atividades produtivas — especialmente aquelas relacionadas à castanha do Brasil.

Conforme Paulo Nunes, coordenador do projeto Man Gap, “esses resultados são fruto de um trabalho participativo que busca o desenvolvimento social, produtivo, econômico, organizacional e ambiental dos Povos Zoró, Apiaká, Kayabi e Munduruku. Essas iniciativas geram trabalho e renda para a população nas comunidades, disponibilizam derivados de produtos orgânicos da sociobiodiversidade e de alto valor nutricional para a população na região do projeto, ao mesmo tempo, em que multiplicam a riqueza, uma vez que a renda gerada circula, criando uma microeconomia solidária e sustentável em mãos de pequenos empreendedores que prestam serviços e comercializam bens com os indígenas produtores de castanha“.

Para a implementação do Fundo Rotativo Solidário, os especialistas da área de Finanças de Conservação e Clima da Sitawi visitaram os territórios para conduzir oficinas participativas com as comunidades indígenas.

Estar em territórios tradicionais é sempre um grande aprendizado. Dessa vez, não seria diferente. No trabalho de campo pude compreender e ser testemunha de como as TI’s e suas etnias são peças fundamentais para a conservação da biodiversidade e dos saberes, sendo um freio para as fronteiras agrícolas e agropecuárias do desmatamento. Tenho a expectativa de que, coletivamente, a gente consiga fomentar a cultura local junto com o estímulo à geração de renda nas comunidades” conta Ana Quelly Anacleto, analista de Finanças de Conservação e Clima.

O que são e como se estruturam os FRS?

Os Fundos Rotativos Solidários (FRS) são uma forma inteligente e criativa de poupança coletiva, que visa suprir necessidades específicas de seus participantes, através do consenso de regras estabelecidas pelos integrantes dos Fundos. Esses fundos mobilizam, organizam e emprestam recursos para projetos coletivos e alternativos, como empreendimentos econômicos solidários, mobilizações sociais e atividades formativas.

Além disso, eles são rotativos, o que significa que há uma devolução dos recursos em algum momento. Estes recursos circulam na própria comunidade e a reposição desses fundos é baseada no princípio da solidariedade, com preços justos para a remuneração do trabalho dos indígenas, bem como em regras de reciprocidade.

Segundo Fernando Campos, Gerente da área de Finanças de Conservação e Clima da Sitawi e responsável pela estruturação do Fundo Rotativo Solidário Indígena, neste primeiro momento é importante que seja definido, de maneira participativa, as três esferas decisivas dentro de um fundo: estratégica, financeira e de governança, a partir do contexto local onde estão inseridas as comunidades. Essa iniciativa vai além de um projeto pontual, podendo se tornar um modelo de referência para outros territórios e comunidades tradicionais na Amazônia.

Reunião de Estruturação do Fundo Rotativo Solidário Indígena na Aldeia Tatuí. Terra Indígena Apiaka Kayabi. Juara MT.

União de esforços para alcançar novos resultados

Já a UNICAFES tem se dedicado às comunidades por meio de capacitações que já vêm ocorrendo desde setembro. Em novembro foi realizado o Seminário de Gestão Organizacional na Terra Indígena Apiaka Caiaby, envolvendo as quatro etnias do projeto Man Gap. Essas capacitações visam desenvolver habilidades gerenciais e melhorar a gestão das organizações indígenas.

Além disso, o Projeto conta com a consultoria da empresa Socioambientalize, que tem trabalhado em conjunto com as comunidades para desenvolver planos de negócios e criar uma identidade visual para os produtos de castanha do Brasil, tanto na nova fábrica na TI (Terra Indígena) Apiaká-Kayabi quanto na fábrica já instalada na Terra Indígena Zoró. O objetivo é encontrar soluções que conciliem o sucesso econômico com a conservação do meio ambiente e promovam práticas sustentáveis, alinhando valores e propósitos dos povos indígenas com as expectativas dos consumidores e do mercado.

De acordo com Mariana Dettmer, da Socioambientalize, “é importante desenvolver o plano de negócios e a identidade visual dos produtos junto com as comunidades produtoras de castanha do Brasil a partir das experiências e narrativas locais e que se desenvolva um planejamento alinhado de visão de futuro, produção, preços e de informações que pautem a estruturação destas fábricas de beneficiamento, que apoiem as tomadas de decisão, contemplando realidades locais e de mercado”.

Com todas essas iniciativas, busca-se contribuir para o desenvolvimento territorial das comunidades indígenas, considerando suas especificidades culturais e tradicionais. O envolvimento de diferentes atores e a união de esforços resultam em avanços significativos para o progresso social e econômico dessas populações, sempre valorizando e respeitando a cultura local e entregando produtos de qualidade feitos com castanhas do Brasil provenientes desses territórios.

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