Proteger as florestas do mundo é uma das ações mais urgentes da agenda climática global. Isso porque as florestas têm uma dupla função: absorvem grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera, mas também se tornam fontes de emissões de gases de efeito estufa quando são desmatadas ou degradadas. Para transformar essa proteção em algo economicamente viável, os países criaram, no âmbito do Acordo de Paris, um mecanismo chamado REDD+, hoje um dos principais mecanismos globais de mitigação das mudanças climáticas

Neste artigo, explicamos o que é REDD+como ele funciona na prática, sua relação com o mercado de créditos de carbono e por que empresas e investidores têm olhado cada vez mais para esse tipo de projeto

O que é REDD+? 

REDD+ é a sigla para “Redução das Emissões provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal em países em desenvolvimento“. O sinal de “+” representa atividades complementares que também protegem o clima, como o manejo sustentável das florestas e a conservação e o aumento dos estoques de carbono florestal. 

Na prática, o mecanismo recompensa financeiramente países que preservam suas florestas e reduzem o desmatamento, evitando a liberação de gases de efeito estufa na atmosfera. Ao evitar que áreas florestais ameaçadas sejam convertidas para outros usos do solo, é possível gerar créditos de carbono que, quando comercializados, tornam a conservação florestal economicamente mais atrativa, fechando um ciclo em que os recursos captados retornam para a manutenção da floresta, para ações de conservação e para o desenvolvimento sustentável dos territórios. 

Como surgiu o REDD+ 

Na COP19, foi adotado o Marco de Varsóvia, que estabeleceu os critérios técnicos e institucionais para a implementação do mecanismo: níveis de referência para emissões florestais, sistemas nacionais de monitoramento e relatórios de resultados, sempre respeitando salvaguardas socioambientais. O Marco também passou a permitir que países em desenvolvimento acessassem pagamentos por resultados mensuráveis, verificáveis e reais na redução de emissões, fortalecendo a confiança entre países do Norte e do Sul e atraindo investimentos climáticos para a agenda florestal. 

Como funciona um projeto REDD+ na prática 

Antes de qualquer implementação, são realizados estudos de viabilidade para avaliar se determinada área é elegível para um projeto REDD+. Essa análise considera a extensão da floresta conservada, o risco de desmatamento no contexto regional, os principais vetores de pressão sobre a floresta e as estratégias necessárias para sua conservação. 

A partir desse diagnóstico, são definidas estratégias que combinam incentivos financeiros para reduzir o desmatamento em áreas sob pressão de conversão do solo, ações para reduzir a degradação em áreas que já perderam qualidade ecológica e a promoção do desenvolvimento sustentável, gerando benefícios ambientais, sociais e econômicos para os territórios envolvidos. Depois de monitorar e avaliar a efetividade dessas estratégias, são calculadas as emissões de CO₂ evitadas. E é a partir desse cálculo que os créditos de carbono são gerados

REDD+ e o mercado de créditos de carbono 

REDD+ está diretamente conectado ao mercado de carbono: cada tonelada de CO₂ evitada ou removida pode se tornar um crédito negociável, usado por empresas e governos para compensar suas próprias emissões. Quem emite menos CO₂ do que o permitido pode vender o excedente como crédito; quem ultrapassa os limites precisa adquiri-los. Essa dinâmica cria incentivos financeiros reais para reduzir emissões e estimula projetos como reflorestamento, energia limpa e tecnologias de captura de carbono. 

No Brasil, esse mercado avançou de forma concreta em novembro de 2024, com a aprovação pelo Congresso Nacional do Projeto de Lei 182/2024, que estabelece limites de emissão para diferentes setores econômicos e cria o SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões) — responsável por regular as emissões de empresas que ultrapassam 10 mil toneladas de CO₂ por ano. Segundo a consultoria McKinsey, o Brasil detém 15% do potencial global de captura de carbono por processos naturais, podendo suprir quase metade da demanda de um mercado que deve movimentar US$ 50 bilhões até 2030

A importância das salvaguardas socioambientais 

Nenhum projeto de REDD+ é completo sem salvaguardas socioambientais robustas. Elas foram definidas pela UNFCCC, na COP16, como um conjunto de diretrizes que todos os países que desejam conduzir mecanismos de REDD+ precisam observar, sempre adaptadas ao contexto nacional. No Brasil, esse debate avançou por meio de um arranjo multissetorial entre organizações da sociedade civil, movimentos sociais, empresas e instituições de pesquisa, que resultou em um conjunto próprio de princípios e critérios, além de diretrizes específicas para a implementação de REDD+ em Territórios Indígenas e em Reservas Extrativistas. 

Essas salvaguardas existem para potencializar os impactos positivos dos projetos e reduzir os riscos e conflitos socioambientais que podem surgir, garantindo que a conservação florestal beneficie, de fato, quem vive e depende da floresta. 

Os resultados do REDD+ até aqui 

Segundo a UNFCCC, até o final de 2025 as submissões de níveis de referência de emissão florestal já abrangiam cerca de 1,7 bilhão de hectares, mais de 90% das florestas tropicais do planeta e mais de 75% das florestas em países em desenvolvimento. Ao todo, 67 países em desenvolvimento reportaram atividades de REDD+ à Secretaria da ONU sobre Mudanças Climáticas, e 24 deles já relataram uma redução acumulada de mais de 14 bilhões de toneladas de CO₂, o equivalente a cerca de 2,5 vezes as emissões líquidas de gases de efeito estufa dos Estados Unidos em 2022. Hoje, 21 países já estão aptos a buscar financiamento baseado em resultados. 

Quem pode investir em projetos REDD+ 

Empresas, instituições e organizações que buscam compensar suas emissões e contribuir para a conservação das florestas podem investir em projetos REDD+ por meio da aquisição de créditos de carbono. Além do mercado voluntário, essas iniciativas também podem receber recursos de governos e programas internacionais voltados à proteção ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas. 

Para líderes com visão de futuro, investir em REDD+ é uma forma de conectar descarbonização, conservação ambiental e geração de valor para o negócio: reconhecimento e gestão dos impactos ambientais das operações, engajamento de colaboradores e stakeholders, fortalecimento de indicadores ESG, diferenciação competitiva, reputação de marca e atração de investidores e parceiros estratégicos. 

Como implementar mecanismos REDD+ 

Ter arcabouços legais e institucionais bem definidos para as salvaguardas socioambientais de REDD+ é fundamental, mas sua eficácia depende de ações concretas no território. É de interesse tanto do setor privado quanto do setor público garantir que os projetos de REDD+ sejam desenhados e conduzidos de forma eficiente e eficaz, incluindo programas de desenvolvimento territorial que fortaleçam os modos de vida sustentáveis de povos indígenas e comunidades locais, respeitando suas cosmovisões e valores

Na Sitawi Finanças do Bem, nosso papel nos mercados de carbono e nos mecanismos de REDD+ é traduzir essas oportunidades em impactos positivos reais para as pessoas e para a natureza, atuando na implementação de salvaguardas socioambientais e no desenvolvimento de fundos de repartição de benefícios. Em complementaridade às desenvolvedoras e certificadoras de projetos de REDD+, trabalhamos para reduzir o desmatamento, contribuir para a conservação da biodiversidade e garantir o respeito aos direitos de povos indígenas e comunidades locais. 

Quer entender como sua empresa pode investir em projetos de REDD+ com impacto real e salvaguardas sólidas? Fale com a equipe da Sitawi e descubra como podemos apoiar sua estratégia de descarbonização e conservação florestal. 

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