Atualmente, o Brasil abriga mais de 530 Terras Indígenas (TIs), fundamentais para a proteção das populações indígenas, suas tradições e modos de vida, além de desempenharem um papel crucial na conservação dos recursos naturais.
No interior do estado do Maranhão, está localizada a Terra Indígena Krikati, que abriga cerca de 1.600 pessoas vivendo em uma área dentro da Amazônia legal, na qual está constantemente ameaçada pelo desmatamento e pela apropriação da terra por pessoas não indígenas.
Em parceria com a Associação Comunitária Wewetyj da Aldeia Recanto dos Cocais, com a atuação do coletivo de mulheres da Aldeia Recanto dos Cocais, estamos implementando a iniciativa ‘Mulheres como Agentes Ambientais no Monitoramento da Terra Indígena Krikati’, na Terra Indígena Krikati – Maranhão.
Com um investimento de aproximadamente R$ 617mil, voltado para as etnias indígenas Krikati e Guajajara, o projeto visa fortalecer a territorialidade desses povos, por meio do fomento ao empoderamento feminino local e a cooperação entre famílias para a sustentabilidade.
O evento inaugural, realizado no último mês, reuniu mais de 30 mulheres Krikati e Guajajara, criando um espaço de diálogo, troca de experiências e fortalecimento de laços comunitários. A iniciativa destaca a importância do papel feminino na preservação territorial e na gestão dos recursos da biodiversidade local.
A Sitawi participou de um extenso processo de seleção do Floresta+ Amazônia, junto com com diversas organizações do Brasil, para atuar em parceria com organizações de base comunitária, nos estados da Amazônia Legal. A iniciativa é realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com o apoio do Fundo Verde para o Clima (GCF).

A luta da mulher indígena
Consideradas guardiãs de conhecimentos tradicionais, as mulheres indígenas desempenham um papel fundamental na preservação das tradições e culturas milenares. No entanto, em nossa sociedade, são muitos os desafios enfrentados quando se é mulher e indígena.
Uma das convidadas do encontro, Edilena Krikati, Coordenadora da FUNAI no Maranhão, compartilhou algumas das dificuldades que encontram na comunidade: “Um dos maiores desafios que enfrentamos é na própria organização interna. Quando se é mulher indígena, a gente já sofre preconceitos. O que desejo é que estejamos cada vez mais empoderadas para avançar e continuar ocupando espaços de poder e de instâncias de decisão”, ressalta.
Impacto do projeto
As ameaças territoriais na Terra Indígena (TI) estão mais próximas, impactando fortemente as práticas tradicionais. As mulheres Krikati estão mais atentas a essas ameaças e desejam contribuir conjuntamente com as comunidades para a construção de um território próspero.
Um dos objetivos do projeto é fortalecer e ampliar as capacidades e habilidades de monitoramento, proteção e reconhecimento das áreas importantes da TI Krikati sob aspectos culturais, ecológicos e sociais.
Além disso, outra ação que será implementada são os quintais agroecológicos, com plantas frutíferas, ervas medicinais e verduras, contribuindo com a segurança alimentar da comunidade e impactando cerca de 25 famílias da Aldeia Recanto dos Cocais e demais famílias da TI Krikati, totalizando aproximadamente 1300 pessoas.
Os quintais agroecológicos já fazem parte do cotidiano da comunidade. Entretanto, existe um desejo de ampliar e melhorar a capacidade produtiva, por meio do enriquecimento de espécies nativas que se tornaram escassas.
A Anciã Lidionesa Krikati, que representa uma liderança feminina no território, comenta sobre a importância da terra para a subsistência da comunidade: “As mulheres trabalham muito. Eu trabalhava na roça todos os dias, fazia comida e voltava para roça. Eu andava muito, pescando e caçando em nossa terra”.

A Anciã Lidionesa Krikati, que representa uma liderança feminina no território, comenta sobre a importância da terra para a subsistência da comunidade: “As mulheres trabalham muito. Eu trabalhava na roça todos os dias, fazia comida e voltava para roça. Eu andava muito, pescando e caçando em nossa terra”.
A implementação desse projeto em um novo território indígena representa um marco significativo para a Sitawi. “É a primeira vez que atuamos com povos originários fora do contexto do estado do Amazonas. Tudo surge como um desafio e como uma nova oportunidade, tanto para a gestão do projeto, quanto para o fortalecimento do protagonismo comunitário local. Estamos honrados em colaborar com as mulheres Krikati Guajajara, que demonstram tamanha força e resiliência para defender e preservar seu território.” afirmou Ana Anacleto, que atua como ponto focal da Sitawi no projeto e integra a área de Finanças de Conservação e Clima.
Para Carmosina Guajajara, Coordenadora local do projeto e do coletivo de mulheres, o empoderamento vai ser fundamental para aumentar o conhecimento da comunidade sobre os direitos das mulheres.
“Muitas de nós não temos esse empoderamento. Os homens acham que a gente só cuida de criança. Para mim, como mulher indígena, é muito importante permitir levar para as próximas gerações essa força. E o projeto vai nos fortalecer ainda mais para ter força para nos desenvolvermos e sabermos dos nossos direitos”, comenta emocionada.
A Sitawi será implementadora de dois projetos que fazem parte de um conjunto de diversas iniciativas selecionadas pelo Floresta+ Amazônia, no âmbito da Modalidade Comunidades. Além do projeto na TI Krikati, somos parceiras no projeto “Práticas agroecológicas e empreendedorismo para jovens ribeirinhos da Escola Familiar Rural do Campina”, no estado do Amazonas, com a comunidade tradicional ribeirinha e extrativista.