Um futuro promissor: mulheres ribeirinhas conquistam cada vez mais autonomia e qualidade de vida no Médio Juruá

O manejo sustentável do Pirarucu selvagem, essencial para a manutenção do meio ambiente e para as comunidades ribeirinhas, é dividido em várias etapas. Uma delas é a de planejamento e avaliação, uma das esferas de tomada de decisão mais importantes do processo que, há tempos, tinha participação predominantemente masculina. Mas essa realidade vem mudando.

As mulheres ribeirinhas sempre participaram de todas as atividades produtivas do território e estiveram presentes na pesca de subsistência e comercial. No entanto, a remuneração pelos seus esforços só surgiu após a organização das comunidades para a realização do manejo do pirarucu. Agora, o fomento ao desenvolvimento e o apoio à autonomia estão transformando essa perspectiva.

Uma ação do Instituto Juruá em parceria com a Associação dos Moradores Agroextrativistas do Baixo Médio Juruá (AMAB), apoiou a participação feminina em uma nova etapa do manejo. A iniciativa visou a capacitação das mulheres ribeirinhas na contagem do manejo do pirarucu e empoderou mulheres para que possam participar de mais etapas do processo.

A oficina ocorreu em setembro e contou com a participação de 36 mulheres. Em três dias de atividades, as alunas participaram de uma imersão teórica no processo de contagem, para tirar dúvidas e colocaram em prática a metodologia aprendida, que é primordial para garantir a sustentabilidade do manejo. Saiba mais aqui.

Incentivo à autonomia financeira

A participação feminina no Programa Território Médio Juruá (PTMJ), coordenado pela Sitawi, não se limita somente ao manejo do pirarucu. Além de estarem envolvidas em todas as cadeias produtivas do território e terem um papel fundamental no gerenciamento do lar e no engajamento comunitário, as ribeirinhas também têm suas próprias iniciativas de negócios. Como por exemplo, atuando com saboaria artesanal, extração de óleos vegetais, produção de artesanatos e muitas outras atividades.

Essas mulheres também carregam consigo memórias e transferem conhecimento cultural para as futuras gerações, garantindo a coesão social e a segurança alimentar do território. Com retorno financeiro pelo seu trabalho e reconhecimento de seus esforços, as mulheres ribeirinhas já sentem a melhoria no bem-estar e ganham ainda mais força para governar suas próprias vidas.

O PTMJ apoia associações de mulheres no território, seu desenvolvimento, interesses e perspectivas de trabalho e respeita a autonomia dessas mulheres no uso de recursos. Assim, esse movimento tão frutífero e promissor, protagonizado pelas potências femininas da região, pode continuar ganhando força para que cada vez mais ribeirinhas tenham vez e voz.

Sobre o PTMJ

O PTMJ é coordenado pela Sitawi e conta com a USAID, a Natura e a Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) como parceiros estratégicos. A Aliança Bioversity/CIAT participa como parceira institucional e o programa conta ainda com apoio do ICMBio, Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) e OPAN.

Quer saber como essa e outras atividades do PTMJ têm transformado a vida da população local e incentivado a conservação da biodiversidade? Confira o relatório com os resultados do primeiro ano da segunda fase do programa.

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