Nasce o primeiro fundo filantrópico independente dedicado exclusivamente à cultura no Brasil

No Brasil, onde você nasceu, onde cresceu e quanto ganha ainda definem o quanto de cultura você acessa. A 6ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha, confirma o que muitos já vivem: renda, escolaridade e raça continuam sendo determinantes para o consumo cultural no país. Entre pessoas brancas, o acesso ao cinema, ao teatro e aos museus chega a 80%, 64% e 64%, respectivamente. Entre pessoas negras, esses índices caem para 69%, 51% e 48%. 

É nesse cenário de financiamento concentrado e historicamente desigual que nasce o Fundo Onã — o primeiro Fundo Filantrópico Independente dedicado exclusivamente à cultura no Brasil. Criado por profissionais com trajetória no setor cultural, o Fundo parte de um diagnóstico preciso: apesar da relevância econômica e simbólica da cultura, os mecanismos de financiamento disponíveis são instáveis, insuficientes e pouco acessíveis para artistas e projetos de territórios periféricos. Seu propósito é construir caminhos permanentes de investimento, fortalecendo criadores de comunidades afro-indígenas e periféricas e promovendo autonomia, com circulação de saberes e soberania cultural.

Estrutura que sustenta transformação

Para que esse propósito se converta em impacto duradouro, o Fundo Onã firmou parceria com a Sitawi Finanças do Bem para a estruturação de sua gestão financeira e filantrópica. A Sitawi atua como fiscal sponsor do fundo — modelo em que a organização assume a representação fiscal e administrativa de iniciativas filantrópicas, garantindo a captação, alocação e prestação de contas dos recursos dentro dos mais altos padrões de governança e transparência.

A escolha por essa estrutura não é apenas operacional: é estratégica. Ela viabiliza a expansão sustentável das ações do fundo ao longo do tempo, ampliando sua capacidade de mobilizar e alocar recursos com rigor e credibilidade.

Para Jef Zappa, fundador do Fundo Onã, a parceria representa um avanço concreto para o setor:

“O Fundo Onã nasce para enfrentar uma contradição: embora a cultura seja uma das maiores riquezas do país, quem sustenta suas bases históricas e criativas raramente está no centro dos investimentos. Nosso compromisso é construir caminhos permanentes para artistas, coletivos e comunidades afro-indígenas e periféricas, fortalecendo autonomia, território, desenvolvimento e soberania cultural”, declara.

Yananda Lima, Coordenadora Sênior de Parcerias e Desenvolvimento em Gestão de Filantropia da Sitawi, reforça que a qualidade da estrutura financeira é o que distingue iniciativas com impacto pontual daquelas com transformação duradoura:

“Governança, transparência, estratégia e boa gestão são elementos que determinam se um investimento vai gerar transformação duradoura ou apenas resultados pontuais. O Fundo Onã entende isso profundamente: constrói, de forma pioneira, uma infraestrutura permanente para que a cultura brasileira em sua diversidade mais rica possa ser financiada com continuidade e dignidade”, afirma.

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