Como a filantropia familiar pode ser mais estratégica?

Durante décadas, a filantropia foi compreendida como um ato de caridade: doações de alimentos, roupas e recursos voltadas a aliviar crises imediatas. Embora essas ações tenham seu valor, elas muitas vezes não enfrentam as causas mais profundas dos desafios sociais e ambientais. 

Diante de um cenário repleto de problemas estruturais, surge a filantropia estratégica como resposta. Ela propõe uma atuação de longo prazo, baseada em impacto mensurável e mudanças sistêmicas. Nesse novo paradigma, todos têm um papel: governos, empresas, sociedade civil e, com destaque especial, as famílias empreendedoras, que vêm promovendo transformações sociais e ambientais significativas. 

O papel da filantropia familiar 

Diferente de ações pontuais ou impulsivas, a filantropia familiar é movida por um senso de legado, continuidade e responsabilidade social intergeracional. Segundo o estudo Filantropando, patrocinado pelo Instituto Beja, a filantropia no Brasil quase dobrou na última década — um salto motivado, principalmente pelo alinhamento com valores familiares, o fomento a responsabilidade social e a criação projetos que unam diferentes gerações em torno de um impacto positivo. Esses valores são transmitidos entre gerações, moldando uma cultura de doação mais estratégica e duradoura. 

Além disso, o envolvimento da família como um todo contribui para a formação de uma identidade comum em torno de causas que refletem seus princípios. Essa abordagem fortalece não apenas o impacto social gerado, mas também os vínculos afetivos e a visão de futuro compartilhada entre os membros da família. A filantropia, nesse contexto, torna-se um instrumento de continuidade e transformação, capaz de unir tradição e inovação na busca por soluções estruturais para os desafios sociais e ambientais do país. 

E há sinais de um futuro promissor: a segunda parte do estudo revela que 74% dos millennials (pessoas nascidas entre a década de 80 e os anos 2000) se consideram filantropos, um número muito maior que os 35% dos baby boomers (aqueles que nasceram entre 1945 e 1965). Essa é uma mudança de mentalidade que pode alavancar significativamente o papel das famílias filantropas no Brasil, especialmente se considerarmos que essa é a geração que em breve estará à frente da gestão dos patrimônios familiares. 

Como os family offices estão atuando? 

A pesquisa Famílias de Alto Patrimônio no Brasil – Investimento de Impacto e Filantropia, publicada pela Sitawi Finanças do Bem em 2024, investigou como essas famílias têm alocado seus recursos filantrópicos

Participaram do estudo 21 Family Offices — 12 Single-Family Offices (SFOs) e 9 Multi-Family Offices (MFOs) — responsáveis por patrimônios entre R$ 50 milhões e mais de R$ 1 bilhão. Embora a amostra seja pequena, ela oferece uma valiosa fotografia das práticas filantrópicas desse público. 

Os dados revelam um desafio importante: apesar de 83% demonstrarem interesse pela filantropia, apenas metade se envolve de forma sistemática. Mais de 25% nem sequer adotam um padrão anual de doações. Essa desconexão aponta para a necessidade de integrar a filantropia às práticas regulares de gestão patrimonial, especialmente nos MFOs, que ainda não incorporaram plenamente essa dimensão. 

Outros achados revelam que as doações extrapolam a região Sudeste, alcançando também o Nordeste, a Amazônia e até o exterior. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são utilizados como referência na alocação de recursos — ainda que de forma incipiente. 

Entre os tipos de apoio mais frequentes estão: doações emergenciais e apoio à capacitação e estruturação de organizações sociais (curto e médio prazo). Por outro lado, a filantropia voltada à incidência política e advocacy, com foco em mudanças de longo prazo, ainda é pouco explorada e recebe um volume modesto de recursos.

Oportunidades para avançar 

Para os Family Offices, a filantropia representa uma via legítima para ampliação de impacto social. No entanto, obstáculos como falta de conhecimento especializado e ausência de mandatos claros ainda limitam seu potencial transformador. É essencial: 

  • Capacitar gestores patrimoniais em práticas filantrópicas; 
  • Estimular a criação de institutos e fundações próprios; 
  • Estabelecer mecanismos de governança para alinhar estratégias familiares com decisões filantrópicas. 

A pesquisa da Sitawi mostra que muitas famílias já manifestam desejo de institucionalizar sua filantropia, mas esse desejo nem sempre é concretizado. É como se ainda não tivessemos encontrado o caminho para que filantropia e gestão de patrimônio caminhem juntas para maximizar o legado socioambiental. 

Como family offices podem estruturar uma filantropia de impacto? 

Para apoiar famílias interessadas em estruturar suas jornadas filantrópicas, o LGT Private Banking lançou o Guia Voltado à Filantropia Estratégica, que apresenta algumas etapas essenciais para transformar boas intenções em impacto concreto: 

  • Alinhamento com suas causas: entenda seus valores, recursos, habilidades e redes. Filantropia é também sobre o que se pode oferecer além do dinheiro; 
  • Compreensão das causas raiz: vá além dos sintomas e investigue os fatores estruturais por trás dos problemas sociais e ambientais; 
  • Visão sistêmica: analise o contexto, os atores, políticas públicas e dinâmicas de mercado para identificar alavancas de mudança; 
  • Análise de cenário: faça pesquisas, mapeie stakeholders, soluções já existentes, lacunas, oportunidades e parceiros para começar a sua atuação; 
  • Teoria da Mudança: desenvolva um modelo lógico que explique como sua intervenção levará ao impacto desejado; 
  • Planejamento e implementação: estruture estratégias, cronogramas, parcerias e orçamentos para garantir coerência entre intenção e execução; 
  • Avaliação de impacto: monitore os efeitos, resultados e impactos de curto, médio e longo prazo, e use os aprendizados para aprimorar suas ações. 

Como colocar em prática? 

Para as famílias que desejam estruturar sua filantropia de forma estratégica e responsável, a Sitawi Finanças do Bem oferece dois caminhos complementares: Fundos Filantrópicos e Fundos Patrimoniais (Endowments)

Fundos Filantrópicos 

Um fundo filantrópico é um mecanismo financeiro que centraliza recursos de diferentes fontes, destinados a causas de impacto positivo. Ele oferece conveniência, escalabilidade, transparência e eficiência para doadores, beneficiários e gestores. A família pode decidir quem quer apoiar, com qual periodicidade, e recebe relatórios periódicos de prestação de contas, sem precisar criar um novo CNPJ para gerenciar os recursos diretamente. Toda a parte técnica e operacional pode ser realizada por uma organização intermediária especializada, como a Sitawi. 

Fundo Patrimonial 

Os fundos patrimoniais, ou endowments, são amplamente utilizados para garantir a sustentabilidade financeira de longo prazo de uma causa. No contexto familiar, são também uma poderosa ferramenta para preservar valores, alinhar o capital com propósitos e deixar um legado duradouro

A Endowments do Brasil, em parceria com a Sitawi, oferece uma abordagem inovadora para a criação e gestão desses fundos. Com foco em segurança e compliance, a operação segue as diretrizes da Lei 13.800/2019, garantindo uma estrutura sólida e transparente. 

Além disso, é possível direcionar os rendimentos gerados para diversas causas ou instituições, de forma flexível e alinhada às preferências do family office. Mesmo muitos anos após a criação do fundo, ou até após o falecimento dos instituintes, os recursos continuarão sendo alocados conforme o propósito definido, perpetuando o impacto gerado. 

Quer estruturar a filantropia do seu family office com mais estratégia, transparência e impacto? Fale com a equipe da Sitawi e descubra como podemos ajudar.

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