O aquecimento global é um dos temas mais urgentes da agenda científica, política e econômica do século XXI. Muito além de um conceito abstrato, trata-se de um fenômeno mensurável, com causas identificadas e consequências que já se fazem sentir em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil.
O que significa aquecimento global
O aquecimento global se trata do aumento das temperaturas médias do planeta acima dos patamares considerados normais, tomando como referência os níveis anteriores à industrialização. Trata-se, em essência, da intensificação do efeito estufa por ação humana.
A aceleração do processo de aquecimento da Terra se intensificou a partir da segunda metade dos anos 1970, e os últimos dez anos registraram as temperaturas mais altas desde o início das medições sistemáticas.
A gravidade do quadro levou o então secretário-geral da ONU, António Guterres, a cunhar em 2023 o termo “ebulição global“, uma forma de sinalizar que o fenômeno ultrapassou os limites do que se chamava apenas de aquecimento.
Aquecimento global e efeito estufa: conceitos distintos
É comum que os dois termos sejam usados como sinônimos, mas há uma distinção importante entre eles.
O efeito estufa é um fenômeno natural e necessário: parte do calor solar que chega à superfície terrestre fica retida na atmosfera por gases como vapor d’água, CO₂ e metano, o que torna o planeta habitável. Sem ele, as temperaturas médias globais seriam incompatíveis com a vida tal como a conhecemos.
O aquecimento global, por sua vez, é o resultado do desequilíbrio provocado pela ação humana: o aumento da concentração desses mesmos gases na atmosfera intensifica a retenção de calor além do patamar natural, elevando as temperaturas médias globais de forma progressiva e prejudicial.
Quais são as causas do aquecimento global?
O marco histórico está na Primeira Revolução Industrial, no século XIX, quando a queima de combustíveis fósseis e a exploração intensiva do meio ambiente passaram a liberar volumes crescentes de gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera.
As principais fontes antrópicas de emissão incluem:
- Queima de combustíveis fósseis — petróleo, carvão mineral e gás natural, utilizados no transporte, na indústria e na geração de energia elétrica;
- Desmatamento — a remoção da cobertura vegetal libera o carbono estocado na biomassa e elimina sumidouros naturais de CO₂;
- Queimadas — frequentemente associadas à abertura de áreas para agropecuária, amplificam a emissão de carbono;
- Pecuária — a criação de animais em larga escala é uma das principais fontes de metano (CH₄);
- Destruição da camada de ozônio — a emissão de clorofluorcarbonetos (CFCs) compromete a capacidade da estratosfera de filtrar a radiação ultravioleta, acelerando o aquecimento.
Quais são as consequências do aquecimento global?
As projeções que a comunidade científica debatia desde os anos 1970 estão, em grande medida, se confirmando. As principais consequências já observadas ou projetadas incluem:
- Mudanças nos padrões climáticos globais, com maior frequência e intensidade de eventos extremos: secas prolongadas, chuvas torrenciais, ondas de calor;
- Derretimento de geleiras e calotas polares, com consequente elevação do nível dos oceanos;
- Aquecimento e acidificação dos oceanos, afetando ecossistemas marinhos;
- Perda de biodiversidade, à medida que espécies não conseguem se adaptar às novas condições climáticas;
- Ameaças à segurança alimentar, com impactos sobre a produção agrícola;
- Aumento de doenças associadas ao calor, à poluição e às alterações no ciclo hidrológico;
- Fluxos migratórios climáticos, com populações inteiras forçadas a se deslocar por fenômenos extremos.
O aquecimento global no Brasil
O Brasil figura entre os maiores emissores de GEE do planeta (ao lado de China, Estados Unidos e Japão), principalmente em função do desmatamento e da atividade agropecuária. O desmatamento, especialmente na Amazônia, tem sido nos últimos anos a principal fonte de emissões nacionais.
Ao mesmo tempo, o país ocupa uma posição singular nas negociações climáticas internacionais: detentor de um dos maiores patrimônios naturais do mundo, o Brasil é simultaneamente parte do problema e potencial protagonista das soluções, especialmente em iniciativas de restauração florestal, bioeconomia e redução de emissões por desmatamento evitado (REDD+).
Acordos climáticos e metas globais
A resposta internacional ao aquecimento global tem se estruturado por meio de acordos multilaterais, cujos marcos mais relevantes são:
- Protocolo de Montreal (1987) — voltado à eliminação dos CFCs e à proteção da camada de ozônio;
- Protocolo de Kyoto (1997) — primeiro tratado com metas vinculantes de redução de emissões para países desenvolvidos;
- Acordo de Paris (2015) — estabelece como meta global limitar o aquecimento a 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais, com contribuições nacionais determinadas (NDCs).
Segundo o IPCC, sem ações concretas e imediatas, o limite de 1,5 ºC pode ser atingido já na década de 2040, um patamar que a ciência considera próximo do ponto de irreversibilidade.
O que pode ser feito para conter o aquecimento global?
Mitigar o aquecimento global exige transformações estruturais em múltiplas frentes:
- Transição energética — substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis, tanto na geração de eletricidade quanto no transporte;
- Agricultura e uso da terra — adoção de práticas produtivas de menor impacto e recuperação de áreas degradadas;
- Reflorestamento e restauração florestal — ampliação dos sumidouros naturais de carbono;
- Regulação e fiscalização — fortalecimento dos mecanismos de controle sobre desmatamento ilegal e poluição industrial;
- Educação ambiental — construção de uma cultura de consumo e mobilidade menos intensiva em carbono.
Colocando soluções em prática: o papel das finanças climáticas
Conhecer as estratégias é o ponto de partida. Mas criar projetos de mitigação e adaptação climática com rigor técnico e viabilidade financeira é outro desafio e é onde muitas organizações e empresas encontram dificuldades reais.
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