Coletividade e força: saiba a importância das associações para o Médio Juruá

No coração do estado do Amazonas encontra-se uma das regiões mais conservadas da Floresta Tropical: o Médio Juruá – lugar onde o desenvolvimento socioeconômico e a preservação da biodiversidade acontecem mutuamente. Esse fenômeno só é possível por um fator: a mobilização coletiva dos moradores com organizações locais e externas. É nesse contexto que as associações do Médio Juruá se fortaleceram. Hoje, conheceremos mais sobre elas.

A realidade do Médio Juruá nem sempre foi esta. Há algumas décadas, nos anos 70, os comunitários da região sofriam com o trabalho análogo a escravidão e a exploração intensa de seus recursos naturais. Com a chegada de órgãos que promoveram a conscientização popular, o poder do Médio Juruá retornou para as mãos de seu povo. Para esse processo, a formação e o desenvolvimento das associações foram essenciais.

O “boom” das associações

No Médio Juruá, as diversas atividades e cadeias produtivas formam grupos de pessoas que possuem profissões e realidades semelhantes, como os seringueiros e pescadores. Após a criação da Reserva Extrativista (Resex) do Médio Juruá em 1997, as comunidades perceberam que a mobilização coletiva era uma forte maneira de conquistar espaço.

A partir disso, se articularam em associações que buscavam estratégias para produzir e comercializar produtos a preço justo e valorizando o modo de vida tradicional. De lá para cá, surgiram algumas organizações comunitárias locais. Conheça cada uma delas:

Os principais coletivos do Médio Juruá

  • ASPROC – Associação dos Produtores Rurais de Carauari

Foi a primeira associação criada no Médio Juruá, responsável por representar mais de 800 famílias e defender a cogestão de recursos naturais de grande importância para a comunidade, como o Pirarucu e a borracha.

  • ASMAMJ – Associação de Mulheres Agroextrativistas do Médio Juruá

A ASMAMJ materializa a força e a presença feminina na região. Esta organização comunitária integralmente feminina é responsável por promover a igualdade social no território e empoderar mulheres e meninas através da geração de renda.

  • AMECSARA – Associação dos Moradores Extrativistas da Comunidade São Raimundo

A AMECSARA é focada na formação de jovens lideranças e Agentes Ambientais Voluntários. Estes profissionais capacitados apoiam em ações de combate ao mau uso dos recursos naturais e na conservação de quelônios.

  • AMARU – Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Uacari

A AMARU produz matérias primas para cosméticos e possui parceria com a Natura. Além disso, também participa de pesquisas sobre o manejo sustentável do Pirarucu e os ninhos de quelônios.

  • CODAEMJ – Cooperativa Mista de Desenvolvimento Sustentável e Economia Solidária do Médio Juruá

Representa a cadeia produtiva de oleaginosas do Médio Juruá. Esta organização realiza a coleta, da matéria prima, beneficiamento, produção e transporte do produto final. O resultado desse trabalho é a geração de renda e melhoria na qualidade de vida dos cooperados.

  • ASPODEX – A Associação do Povo Deni do Rio Xeruã

É a associação de mais de 1000 indígenas da etnia Deni, que residem em 5 aldeias do Médio Juruá. Esse coletivo é responsável por garantir os direitos aos povos indígenas da região e também coordena as atividades de proteção territorial.

Resultados da mobilização coletiva

A união de esforços de todos esses coletivos resultou no território do Médio Juruá como conhecemos hoje: uma região comandada pelo seu próprio povo, em que a melhoria das condições de vida da comunidade promove a conservação da natureza. Junto de projetos como o Programa Território Médio Juruá,  coordenado pela Sitawi e possui como parceiros estratégicos a USAID, PPA e Natura, e parceria institucional da Alliance Biodiversity & CIAT e da CGIAR,  950 mil hectares de floresta são conservados e 3.695 famílias contam com melhorias socioeconômicas.

Conheça de perto a atuação das organizações no território no novo relatório do Programa Território Médio Juruá – referente ao 2º ano da fase 2 do projeto.

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