COP28: Dilemas e contradições nos debates sobre o clima

Quase um consenso entre os participantes: a COP28 em Dubai foi marcada por inúmeras contradições. O país escolhido para sediar uma conferência do clima, em que o líder é o presidente da gigante petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos, é só uma delas. 

Para nosso CEO, Leonardo Letelier, a pressa por mudança é urgente, mas com pouca movimentação eficaz. “Umas das nossas metas ambiciosas é de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus, o que já temos indícios que não alcançaremos nesta década”, ressalta.

O Brasil é considerado indispensável nas discussões sobre o clima. Isto ocorre em razão de possuir a maior floresta tropical do planeta em seu território, bem como por sua posição de destaque na diplomacia internacional com relação às temáticas de mitigação e adaptação a partir dos ecossistemas e da biodiversidade e cobranças com relação aos compromissos de financiamento assumidos pelas Partes.

No entanto, a adesão brasileira à Opep+, o grupo estendido da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, foi feita pelo presidente Lula nos primeiros dias da Conferência. Após movimentações e muitas indagações, o governo brasileiro ressaltou que o país teria papel de observador, não como membro efetivo. 

Fim da COP28: transição dos combustíveis fósseis

Depois de um rascunho não promissor, a presidência da COP28 apresentou uma nova versão do acordo, aprovada na última sessão da plenária. Pela primeira vez em 30 anos, o texto traz a “transição para o fim dos combustíveis fósseis”. 

Para muitos especialistas, a escolha de palavras do texto não traduz a urgência necessária para conter as mudanças climáticas. Além disso, não fica claro o papel dos países desenvolvidos no processo. No entanto, o que fica claro é: a era do petróleo caminha para o fim.

Para além do clima: agricultura, sistemas alimentares e biodiversidade

Apesar da centralidade da discussão com relação ao afastamento dos combustíveis fósseis, as decisões da COP28 não deixaram de fora temáticas importantes envolvendo a natureza. Pelo contrário, houve avanços com relação ao alinhamento entre as conexões da agenda de clima e natureza.

Por exemplo, vimos um avanço histórico a partir da “Declaração sobre Agricultura Sustentável, Sistemas Alimentares Resilientes e Ação Climática”, assinada por mais de 158 países, incluindo o Brasil, se comprometendo a incluir a temática de sistemas alimentares em suas metas climáticas até 2025. 

Adicionalmente, a natureza foi reconhecida como aliada para as ações de mitigação e adaptação climática. As recomendações finais salientam a importância de alinhar os objetivos do Acordo de Paris com o Marco Global da Biodiversidade, a partir da conservação, proteção e restauração dos ecossistemas e da biodiversidade.

Compromisso Brasileiro da Filantropia sobre Mudanças Climáticas

Um grupo de organizações da sociedade civil e investidores sociais lançaram durante a COP28 o ‘Compromisso Brasileiro da Filantropia sobre Mudanças Climáticas’. O documento conta com 28 assinaturas de organizações atuantes no segmento, mobilizadas pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE). 

A Sitawi é uma das signatárias desse compromisso e o nosso analista de Finanças de Conservação e Clima, Heitor Dellasta, esteve presente no lançamento. 

O compromisso é estruturado em oito eixos e prevê medidas direcionadas à:

  1. Educação e aprendizagem
  2. Alocação de recursos
  3. Visão sistêmica
  4. Patrimônio, fundos ativos e financeiros
  5. Operações
  6. articulação, influência e advocacy
  7. Posicionamento e identidade
  8. Transparência e aprendizado.

“O ponto central que trouxeram foi que esse Compromisso foi 95% assinado por organizações do Norte Global. A ideia é estimular mais organizações no Sul Global. Para isso, fizeram correspondências do compromisso internacional, com algumas pequenas modificações para ficar mais próximo da realidade brasileira”, destaca Heitor. 

É a 1ª vez que a Sitawi esteve presente institucionalmente na conferência do clima da ONU. Esperamos que, a partir das conexões, discussões e encontros que tivemos por lá, saiam resultados positivos e efetivos. Gostaria de ler nosso posicionamento sobre mecanismos de financiamento para questões climáticas? Leia o briefing note sobre Mercados de Carbono e o Papel da Sitawi

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