Fundo Filantrópico promove soluções de saneamento adaptadas às diferentes realidades territoriais

Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) indicam que pelo menos metade da população brasileira sofre com problemas de saneamento básico. Cerca de 40 milhões de famílias não têm sequer um banheiro em casa, mais de 100 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto e 35 milhões sem acesso a água tratada. 

Reconhecendo a complexidade do problema e da importância de soluções inclusivas para o saneamento, a Iniciativa Saneamento Inclusivo (SI), Fundo Filantrópico que conta com a gestão financeira da Sitawi, busca colaborar com o fortalecimento e a difusão de conhecimentos e práticas de saneamento capazes de lidar com a diversidade de contextos pelo país.

O objetivo principal da iniciativa é contribuir para o fortalecimento e difusão de um repertório de soluções, capaz de lidar de forma mais eficaz com saneamento nos contextos historicamente desassistidos, especialmente em áreas rurais, urbanas precarizadas, e em pequenos municípios. A previsão de impacto do Fundo inclui o fortalecimento das capacidades de associações comunitárias, ONGs, prestadores de serviço e gestão pública municipal, promovendo a implementação de soluções efetivas.

A iniciativa vem, desde 2019, desenvolvendo suas quatro frentes de atuação:

  • Bases de Conhecimento: busca tornar os conhecimentos mais acessíveis com duas ferramentas colaborativas — o Glossário e a Base de Publicações. 
  • Publicações e Estudos: são desenvolvidos estudos próprios, em linha de pesquisa com universidades e em parceria com outras organizações. 
  • Metodologias e Ferramentas: para atuação interna em projetos pilotos e para auxiliar iniciativas realizadas por outros atores e organizações atuantes no setor.
  • Projetos Piloto: propiciam condições locais adequadas para saneamento, sempre procurando impactos significativos e melhorias nos territórios envolvidos.

Impacto e melhorias nos territórios 

Por meio dos projetos pilotos, o SI busca propiciar condições locais adequadas de esgotamento sanitário, além de contribuir com o aprimoramento dos processos de atuação nos territórios, e validação de conhecimentos e soluções.

As ações foram realizadas em variados contextos locais de ocupação e condições ambientais, como no semiárido baiano, na periferia urbana da capital de São Paulo, em aldeia indígena no estado do Rio de Janeiro e em vila litorânea na Bahia com sérios problemas de enchentes

No município de Barra (BA), foram implementadas, em 2019, 40 cisternas escolares, 8 sistemas de tratamento de esgotos e reuso, além de ações de educomunicação (forma de educar através da utilização dos recursos de mídia) nas escolas rurais. No entanto, após a conclusão, com o período de pandemia e mudanças nas equipes escolares e prefeitura, as instruções sobre práticas de cuidados e uso sobre os sistemas feitos passados para as equipes se perdeu, e grande parte das cisternas ficou em desuso. 

Os sistemas de esgoto seguiram funcionando, por demandarem menos manutenções. Em alguns casos devido à falta de informação, equipes da prefeitura intervieram com obras que afetaram os sistemas existentes. Por isso, desde 2022 vem se estruturando uma atuação para revitalização dos sistemas, previstos para conclusão em 2024.

Foto: Acervo Saneamento Inclusivo – Bahia

No Jardim Lapenna, comunidade urbana na zona leste de São Paulo, a iniciativa atuou junto à Fundação Tide Setúbal na realização em 2020 de um plano de ação para atuação com saneamento na comunidade, que apontou ações necessárias para viabilizar melhorias na comunidade. Desde então, a iniciativa vem apoiando no desenvolvimento de projetos das soluçõe para esgotamento sanitário, doados para a prefeitura para implementação. As ações para lidar com as inundações já estão em fase de implementação.

Foto Jardim Lapenna – Acervo Saneamento Inclusivo

“As soluções precisam estar intimamente conectadas com as condições e dinâmicas locais, sendo definidas na comunidade. Ainda são muitos os casos em que ações de amparo são implementadas sem esta sensibilidade, e acabam não repercutindo nas melhorias necessárias”, ressalta Tomaz Kipnis, gestor programático do fundo. 

Quer conhecer outros projetos pilotos e entender mais sobre o impacto do fundo? Acesse o site:  saneamentoinclusivo.org.br 

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