Amanda Barreto e Camila Barbosa

Créditos: HD Mídia Produções/WRI Brasil
Para empreendedores como Gilberto Nobumasa e líderes comunitários como Giselda Pereira, restaurar áreas degradadas na Amazônia é mais do que preservar a natureza, é proteger o modo de vida e gerar renda para quem nela vive.
Fundador da empresa FortParaOil, Gilberto engaja agricultores familiares e quilombolas para agregar valor a óleos e manteigas amazônicas. Liderança local do Movimento Sem Terra do Pará, Giselda articula diversos assentamentos para restaurar a floresta e produzir alimentos de maneira sustentável.
Conectar organizações como essas, enraizadas no território, ao financiamento é imprescindível para uma transição justa na Amazônia, que beneficie as pessoas, a natureza e o clima.
Por isso o Fundo Flora, idealizado pelo WRI Brasil e com gestão financeira da Sitawi Finanças do Bem, nasceu com a missão de direcionar capital filantrópico, público e privado a organizações que já fazem a restauração acontecer no território. E o trabalho já está em andamento.
O Fundo Flora anunciou os primeiros projetos selecionados para receber financiamento no Pará, consolidando um novo capítulo para o financiamento da restauração na Amazônia.

Créditos: Julio Glatt/VerdeNovo
Conectando a terra, a vida e a economia
Inspirado na parceria TerraFund no continente africano, o Fundo Flora adota um modelo inovador para selecionar, financiar e monitorar projetos de restauração. Por meio de doações e empréstimos concessionais, o fundo alavanca a capacidade de implementação de empresas e organizações do território, preenchendo a lacuna de financiamento que ainda atinge o setor.
Nesta primeira etapa, R$18 milhões serão investidos, apoiando 10 projetos e impactando 26 organizações em todo Pará, como cooperativas e organizações da sociedade civil, além de pequenas e médias empresas da cadeia de restauração.
Os projetos combinam restauração ecológica e produtiva, criando empregos e fortalecendo a bioeconomia amazônica.
- Restaurando ecossistemas: Por meio de técnicas como a regeneração natural assistida (RNA), sistemas agroflorestais e semeadura direta, os projetos irão revitalizar áreas degradadas, melhorando a qualidade do solo, aumentando a biodiversidade e a cobertura florestal.
- Fortalecendo a bioeconomia e a cadeia da restauração: Por meio do beneficiamento, agregação da produção local e ampliação de viveiros e áreas de coleta sustentável, os projetos atuam diretamente na cadeia de semente e mudas, além das cadeias do açaí, cacau, cupuaçu, castanha-do-Pará e copaíba, andiroba, entre outras.
- Gerando impacto positivo nas pessoas: Além de promover a restauração ambiental, os projetos beneficiam comunidades locais ao criar novas oportunidades de emprego e melhorar a segurança alimentar, o acesso à capacitação, ao mercado, a melhores serviços ecossistêmicos e mais.
O monitoramento de cada projeto, realizado por meio de um sistema de relatórios e verificação desenvolvido e testado pelo WRI, garante o acompanhamento e a transparência por meio de dados do campo e do sensoriamento remoto. Essa abordagem traz credibilidade para o setor de restauração e aprendizado contínuo para as organizações, que aumentam sua capacidade de implementação e captação futura.
O anúncio dos primeiros selecionados marca a consolidação de um modelo que transforma recomendações técnicas em ação concreta no território. Ao fortalecer organizações locais, o Fundo Flora contribui para acelerar a restauração de paisagens e consolidar a Amazônia como protagonista de uma economia verde, inclusiva e resiliente.

Conheça os projetos selecionados
Prevê implementar 1.000 hectares por meio da regeneração natural assistida, estruturando 2 Núcleos de Fornecimento de Sementes e 6 Áreas de Coleta para abastecer 18 viveiros. A iniciativa combina restauração em escala com fortalecimento comunitário e formação em gestão e associativismo, beneficiando mais de mil pessoas e gerando 15 postos de trabalho.
Associação fundada por jovens de assentamentos no sul e sudeste do Pará. Prevê restaurar 40 hectares de terras, beneficiando mais de 300 pessoas. O projeto irá consolidar viveiros comunitários e fortalecer a cadeia de restauração com foco em mulheres e juventude rural, aliando formação agroecológica e inclusão social.
- Cooperativa Agrícola de Produtores do Oeste do Pará – CCAMPO – Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos
Cooperativa agrícola que implantará 15 hectares de sistemas agroflorestais, focados na cadeia do açaí, cupuaçu, como projeto piloto replicável, promovendo diversificação produtiva, geração de renda e permanência da juventude no campo por meio da criação de novos empregos. O projeto beneficiará 160 pessoas e gerará 30 postos de trabalho.
A cooperativa irá implementar 15 hectares de sistemas agroflorestais, além de estabelecer um viveiro comunitário em parceria com uma escola local, beneficiando mais de mil pessoas e gerando 6 novos postos de trabalho. A proposta inclui capacitação de jovens e mulheres em técnicas de produção de mudas, manejo agroflorestal e empreendedorismo.
Empresa especialista em implantação e gestão de projetos de reflorestamento na região de Parauapebas, beneficiará 240 pessoas e irá gerar 7 postos de trabalho por meio do projeto apoiado. Com foco em transformar paisagens degradadas em sistemas produtivos sustentáveis, o projeto prevê a implantação de um viveiro modular com capacidade inicial de 500 mil mudas por ciclo e potencial de produção de até 4 milhões de mudas por ano até 2030.
A empresa amazônica irá restaurar 305 hectares de áreas degradadas por meio da regeneração natural assistida e de sistemas agroflorestais, beneficiando mais de 300 pessoas e gerando 29 postos de trabalho. O projeto inclui ampliação da estrutura industrial para processamento de óleos vegetais e fortalecimento da cadeia produtiva local, integrando regeneração ambiental e geração de renda.
Com três décadas de atuação na Amazônia, o IFT vai promover a restauração de 60 hectares, incluindo a recuperação de áreas afetadas por incêndios florestais. A proposta integra capacitação técnica, manejo sustentável e fortalecimento das três cooperativas parceiras no projeto, que representam agricultores familiares e quilombolas, beneficiando 270 pessoas e gerando 30 postos de trabalho.
A empresa implantará 16 hectares para recuperar áreas degradadas por monocultura de açaí, promovendo diversificação produtiva com cacau, cupuaçu, castanha e outras espécies nativas, conectando restauração e mercado consumidor. O projeto vai beneficiar 226 pessoas e gerará 18 postos de trabalho.
Restaurará 40 hectares por meio da regeneração natural assistida e do plantio direto, engajando cooperativas locais com o foco na participação de mulheres, beneficiando 250 pessoas e gerando 40 postos de trabalho. O projeto ainda apoiará a estruturação de uma rede comunitária de coletoras de sementes, fortalecendo o fornecimento de insumos para a restauração e a geração de renda para lideranças femininas.
Implementará 37 hectares de regeneração natural assistida e agroflorestas, beneficiando 120 pessoas e gerando 48 postos de trabalho. O projeto fortalecerá a cadeia da castanha-do-Pará e do cacau fino com rastreabilidade e geração de renda justa.
O Bezos Earth Fund, a The Coca-Cola Foundation e a AKO Foundation são os doadores âncora do Fundo Flora. Saiba mais sobre o projeto aqui.