Em janeiro de 2025, o governo dos Estados Unidos anunciou a paralisação da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), principal órgão de ajuda externa do país, além de outras restrições à cooperação internacional. Essa decisão suspendeu abruptamente bilhões de dólares destinados a projetos ao redor do mundo – incluindo o Brasil.
Mas o que isso significa, na prática, para as organizações brasileiras?
Em 2024, a USAID desembolsou mais de US$ 20,6 milhões para o Brasil, (cerca de R$ 118 mi). A maior parte dos recursos foi aplicada em programas ambientais e no apoio a populações vulneráveis.
A suspensão das doações provenientes dos EUA para o Terceiro Setor no Brasil gerou incertezas e desafios para diversas iniciativas sociais e ambientais. Com a recente stop-work order da USAID – e sua possível absorção pelo Departamento de Estado dos EUA – diversos projetos foram pausados, comprometendo impactos socioambientais positivos e deixando um rastro de incerteza.
O que dizem os dados?
Para compreender melhor os efeitos dessa suspensão e buscar soluções conjuntas para o setor, a Sitawi Finanças do Bem conduziu uma pesquisa com 37 organizações respondentes que dependem, direta ou indiretamente, desses recursos. Embora essa amostra não represente o setor como um todo, reflete uma parcela significativamente impactada, que enfrenta desafios urgentes e aponta caminhos para o futuro.
A pesquisa revelou um cenário preocupante:
- +200 milhões em risco: o valor estimado de recursos da USAID e outras agências norte-americanas que deixarão de chegar ao Brasil corresponde a 34% do orçamento de 2025 das organizações respondentes.
- Pequenas organizações são as mais afetadas: o impacto negativo não está igualmente distribuído. Enquanto grandes instituições conseguem amortecer parte do impacto, as menores correm sérios riscos: mais de 50% do orçamento de 2025 dessas organizações pode ser comprometido.
- Desemprego e vulnerabilidade crescente: desde a suspensão, 171 profissionais já foram desligados e outros 368 correm o risco de perder seus empregos. Pequenas organizações são, novamente, as mais atingidas: mais de 80% de seus colaboradores estão ameaçados.
- Baixa resiliência financeira: apenas 23% das organizações estavam preparadas para um corte abrupto de financiamento. Além disso, quase metade (47%) tem reservas financeiras para, no máximo, três meses, aumentando o risco de paralisação definitiva de projetos.
Esses são apenas alguns dos números e insights obtidos com o mapeamento, que reforçam a urgência de um maior compartilhamento de informações e soluções colaborativas para fortalecer o setor de impacto socioambiental no Brasil.
O que podemos fazer?
O corte no financiamento internacional exige um esforço coletivo para garantir que projetos socioambientais cruciais continuem operando. Alternativas como diversificação de fontes de captação, novos modelos financeiros e parcerias estratégicas tornam-se ainda mais urgentes.
Acesse ao mapeamento completo: Acesse aqui.
Na Sitawi Finanças do Bem, seguimos comprometidos em apoiar organizações de impacto e encontrar soluções para um cenário cada vez mais desafiador. A resiliência do setor depende de inovação, colaboração e, acima de tudo, ação.