A manutenção da biodiversidade é essencial para a nossa sobrevivência. No entanto, a crise climática tem acelerado os fatores que levam à perda da biodiversidade, comprometendo, inclusive, nossa capacidade de sequestrar carbono e mitigar os próprios efeitos das mudanças climáticas.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, mais da metade da economia global – cerca de US$ 44 trilhões – depende, de forma moderada ou alta, da natureza. Isso significa que, se os sistemas naturais colapsarem, nossos sistemas econômico e financeiro seguirão o mesmo caminho. Trata-se, portanto, de um desafio que diz respeito a todos nós.
Diante desse cenário, como garantir que os recursos sejam direcionados de forma eficaz à proteção e à restauração da natureza? A resposta pode estar no financiamento para a biodiversidade.
Financiamento para biodiversidade
Tão importante quanto o financiamento climático, o financiamento para a biodiversidade reúne mecanismos financeiros públicos, privados, filantrópicos ou híbridos destinados à conservação, restauração e uso sustentável da natureza. Seu objetivo é mobilizar recursos para proteger ecossistemas e garantir serviços ecossistêmicos fundamentais para a vida, como água limpa, polinização e regulação climática.
O Marco Global Kunming-Montreal da Biodiversidade, aprovado em 2022 durante a COP da Biodiversidade, estabeleceu metas ambiciosas: mobilizar pelo menos US$ 200 bilhões por ano até 2030, sendo US$ 30 bilhões de países desenvolvidos para países em desenvolvimento, além de eliminar US$ 500 bilhões em subsídios prejudiciais à biodiversidade.
Um dos compromissos mais relevantes é aMeta 19, que propõe aumentar substancialmente o volume de recursos financeiros disponíveis para a biodiversidade, incluindo capitais domésticos, internacionais, privados e filantrópicos. Esse desafio levanta debates sobre os limites e sinergiasentre o financiamento, clima e biodiversidade.

A lacuna de financiamento e o papel do setor privado
Apesar dos avanços, a biodiversidade continua drasticamente subfinanciada. Estima-se que haja uma lacuna anual superior a US$ 700 bilhões entre o que é investido hoje e o necessário para manter a integridade dos ecossistemas até 2030. Dados apontam que até dezembro de 2022, os governos eram responsáveis por 83% dos recursos mobilizados – mas orçamentos apertados e prioridades nacionais tornam improvável que consigam suprir essa diferença sozinhos.
É por isso que cresce o apelo para que o setor privado participe mais ativamente no financiamento de iniciativas positivas para a natureza. A conservação de ecossistemas naturais não apenas protege a biodiversidade, como também contribui para a captura de gases de efeito estufa e aumenta a resiliência às mudanças climáticas.
Soluções baseadas na natureza – como conservação, restauração e gestão sustentável de ecossistemas – têm potencial de representar até um terço da redução de emissões necessárias para manter o aquecimento global abaixo de 2 °C. Não será possível alcançar a meta de 1,5 °C sem transformar profundamente nossa relação com a natureza. A implementação da meta de conservar ao menos 30% das terras, oceanos e águas do planeta até 2030 pode ter um papel decisivo tanto na proteção da biodiversidade quanto no enfrentamento da crise climática.
A transição para uma economia positiva para a natureza pode gerar até US$ 10 trilhões em negócios e criar 395 milhões de empregos até 2030. Isso será possível a partir da transformação de setores que hoje concentram quase 80% da perda da natureza: alimentos, infraestrutura, energia e extrativos.
Para acelerar essa transição, é fundamental fornecer informações estratégicas que ajudem o setor privado a integrar riscos e oportunidades relacionados à natureza no planejamento, na gestão estratégica e na alocação de recursos. Quanto mais as organizações compreenderem os benefícios das soluções baseadas na natureza, mais optarão por elas em detrimento da superexploração ambiental.
Como acelerar essa agenda?
A Sitawi é uma organização que atua para destravar recursos e desenvolver soluções financeiras que maximizem o impacto positivo para as pessoas e a natureza. Com base em uma leitura profunda dos contextos socioecológicos, a organização desenvolve mecanismos inovadores como:
- Estruturas de blended finance, que combinam diferentes fontes e instrumentos financeiros;
- Esquemas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA);
- Créditos de biodiversidade e de adicionalidade associados a créditos de carbono.
Com essa abordagem, a Sitawi potencializa sinergias entre finanças, clima, biodiversidade e desenvolvimento social, contribuindo para um futuro mais resiliente e sustentável.
Além disso, a Sitawi é uma das organizações pioneiras a executar um estudo piloto do Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD) no Brasil. O TNFD é uma iniciativa global liderada pelo mercado com a missão de desenvolver e fornecer uma estrutura de gerenciamento e divulgação para as organizações relatarem e agirem sobre seus riscos e oportunidades relacionados com a natureza. Por isso, a Sitawi desenvolveu experiência em adequar a plataforma ao contexto nacional, visando participar e conduzir avaliações de riscos e oportunidades relacionados com a natureza, caso as empresas estejam comprometidas a avançar na mobilização de recursos para a construção de programas territoriais ou soluções financeiras para a conservação da natureza.
Tem interesse em implementar um projeto para a biodiversidade? Entre em contato e podemos pensar em uma solução personalizada para você!