Uma reflexão sobre conservação: sem Cerrado não há Amazônia

Setembro é um mês de grande importância para a conservação ambiental no Brasil. No dia 5 de setembro, celebramos o Dia da Amazônia, e, no dia 11, o Dia do Cerrado. Duas datas que nos convidam a refletir sobre a conexão vital entre esses dois biomas.  

Conhecida por sua biodiversidade extraordinária e por ser um dos maiores estoques de carbono do planeta, a Amazônia desempenha um papel fundamental no equilíbrio climático global. Porém, garantir a conservação da floresta amazônica envolve também cuidar de outros biomas vitais, como o Cerrado, frequentemente colocado em segundo plano nas discussões sobre conservação.

Os incêndios que estamos vivenciando e que devastam o Brasil, afetam, principalmente, áreas de vegetação nativa intacta, ricas em biodiversidade. De acordo com o Sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em agosto, 53% dos incêndios na Amazônia, 67% no Cerrado e 89% no Pantanal ocorreram em ecossistemas naturais. Em áreas onde a vegetação foi removida recentemente, esses índices foram muito menores: 1%, 3% e 13%, respectivamente.

O berço das águas 

O Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, é conhecido como “berço das águas”. Suas nascentes abastecem oito das 12 principais bacias hidrográficas da América do Sul, incluindo a bacia amazônica. O bioma funciona como uma esponja, absorvendo e armazenando água durante a estação chuvosa e liberando-a lentamente para rios e aquíferos. Sem esse sistema de abastecimento, os rios da Amazônia sofreriam grandes reduções no fluxo de água, comprometendo o equilíbrio ecológico da floresta, como temos visto nos últimos anos.

Além disso, o Cerrado possui mais de 12.000 espécies de plantas, das quais cerca de 4.000 só existem ali, incluindo quase todas as ervas e os arbustos. No entanto, de acordo com estudo realizado pela Mapbiomas, o Cerrado perdeu 27% de sua vegetação nativa nos últimos 39 anos, o que representa 38 milhões de hectares.

Amazônia e Cerrado: conexão da vida

A interdependência entre o Cerrado e a Amazônia é clara: a destruição do Cerrado não só afeta diretamente a biodiversidade local, mas também a resiliência climática e hídrica da própria Amazônia. O avanço descontrolado da agropecuária no Cerrado está provocando a perda de grandes áreas nativas, afetando o ciclo hidrológico e ameaçando a capacidade de suporte da floresta amazônica.

Além disso, o Cerrado serve como uma barreira natural para a expansão da degradação da Amazônia. Quando o Cerrado é desmatado, os processos de desertificação se aceleram, gerando impactos climáticos negativos que se refletem na umidade e no clima da floresta.

Precisamos olhar para o Cerrado 

A Sitawi, por meio de seus mecanismos financeiros, apoia negócios que atuam no Cerrado, promovendo a sua conservação.

Um exemplo é a VerdeNovo, organização que captou recursos na última Rodada de Investimentos para Impacto Positivo. A VerdeNovo trabalha com coletores de comunidades locais e periféricas na comercialização de sementes nativas do Cerrado, promovendo a restauração ecológica e o fortalecimento dos conhecimentos socioprodutivos. 

A organização apoia 21 coletores e suas famílias, já restaurou 80 hectares diretamente e contribuiu para a recuperação de mais 2 mil hectares com a venda de sementes. “Tudo começa pela semente. A semente ressignifica o que é a riqueza. E por isso ela é a inovação – a nossa inovação é a reconexão com o ancestral”, ressalta Barbara Pacheco, CEO da Verde Novo.

Outro exemplo é o Jardins de Maria, Fundo Filantrópico sob gestão financeira da Sitawi. Este fundo apoia a recuperação de uma Escola Família Agrícola em Goiás, que oferece educação técnica em agroecologia, conectando a produção sustentável ao território. A vitalidade desse ecossistema de aprendizagem assegura que futuras gerações possam permanecer no campo de maneira digna e próspera.

Conservação integrada

Para garantir a sobrevivência da Amazônia, é crucial que o Cerrado seja incluído nas políticas de conservação. A proteção das nascentes, o manejo sustentável das áreas de produção agrícola e a recuperação das áreas degradadas são medidas necessárias para manter esse equilíbrio.

Os esforços de conservação, como projetos de restauração florestal e agroecologia, desempenham um papel essencial para reverter o cenário de destruição, ao mesmo tempo em que garantem uma fonte de renda para as comunidades locais.


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Se quiser conhecer mais sobre o serviço de Gestão de Filantropia, fale com especialistas da Sitawi. 

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