Biodiversidade e Desenvolvimento Econômico: aliados por um futuro sustentável

A crise de perda global de biodiversidade nos fez entender que os recursos naturais são fundamentais para garantir a nossa vida no planeta. No entanto, ainda temos dificuldades em compreender como os riscos ambientais podem gerar perdas econômicas significativas.

Durante séculos, exploramos os recursos naturais de forma descontrolada, excedendo sua capacidade de fornecer os bens e serviços essenciais. Segundo estimativas da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, em inglês), das 8 milhões de espécies animais e vegetais que se estima viverem na Terra, cerca de 1 milhão pode desaparecer completamente nas próximas décadas.

Como podemos continuar acreditando que isso não reflete na economia?

Biodiversidade e desenvolvimento econômico

Se pararmos para pensar, não é difícil enxergarmos as sinergias entre as duas áreas. Por exemplo, a biodiversidade é a principal fonte de recursos para negócios como turismo, cosméticos, farmácias, alimentação e muito mais.

Entendendo isso, podemos compreender como a exploração desenfreada dos recursos naturais levou as empresas a perceberem que as matérias-primas já não são infinitas, e que o aumento da escassez leva a um aumento nos custos de produção, o que afeta diretamente a economia. Saiba quais são os setores da economia com maior relação com a conservação da biodiversidade.

E podemos ir além: eventos climáticos extremos -que se intensificam com a exploração desenfreada da biodiversidade-, por exemplo, causam prejuízos econômicos ainda mais significativos, desde danos a infraestruturas até perdas na produção agrícola.

Colocando assim fica bem mais fácil de entender, não é?

Brasil: um tesouro de biodiversidade e oportunidades econômicas

Imagem de uma floresta tropical representando a conservação da biodiversidade
A floresta é crucial para a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento econômico sustentável. Foto: Bruno Kelly.

O Brasil possui um dos maiores patrimônios naturais do mundo, abrigando aproximadamente 20% da biodiversidade global e 12% das reservas de água doce do planeta.

Dessa forma, nosso país é um território fértil de possibilidades para aliar biodiversidade e desenvolvimento econômico. Veja alguns exemplos:

  • Turismo Sustentável: O ecoturismo pode ser promovido em áreas de rica biodiversidade, como a Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica, atraindo turistas que buscam experiências naturais e sustentáveis;
  • Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNMs): O manejo sustentável de produtos como castanhas, açaí, sementes, plantas medicinais e outros recursos naturais pode gerar renda e matéria prima para a produção de óleos, medicamentos e muito mais, conservando a floresta em pé;
  • Agricultura Sustentável e Agroflorestas: Integrar culturas agrícolas com árvores nativas pode aumentar a produtividade, melhorar a qualidade do solo e conservar a biodiversidade, além de evitar problemas com “pragas” ou “doenças”, dispensando o uso de venenos;
  • Biotecnologia: Investir em pesquisa e desenvolvimento de produtos farmacêuticos, cosméticos e agrícolas a partir de recursos genéticos da biodiversidade;
  • Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA): Implementar programas de PSA onde proprietários de terras são recompensados por práticas de conservação que protejam a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos;
  • Mercados de Carbono: Participar de mercados de carbono através de projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+), promovendo a conservação florestal como uma forma de reduzir as emissões de CO2.

Isso quer dizer que podemos aproveitar essa diversidade para gerar riquezas, mas também significa que para aproveitar todo esse potencial, o primeiro passo é investir em conservação e restauração.

Os líderes empresariais devem reconhecer o valor econômico do ecossistema, desenvolvendo estratégias para gerenciar riscos e oportunidades de negócios.

Ao integrar a biodiversidade às estratégias de negócios, as empresas adotam práticas sustentáveis e incentivam a proteção e recuperação dos ecossistemas. E assim, é possível construirmos um futuro sustentável para a natureza e a economia.

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