O financiamento climático é um dos temas centrais das negociações internacionais sobre mudança do clima, especialmente nas Conferências das Partes (COPs) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Nessas conferências, governos, empresas e organizações discutem como mobilizar recursos financeiros em escala global para enfrentar a crise climática.
Diante de metas ambiciosas de redução de emissões e da necessidade de adaptação nos países mais vulneráveis, o financiamento ganha protagonismo – afinal, sem recursos, as soluções não saem do papel.
O que é financiamento climático?
Segundo a ONU, financiamento climático é o aporte de recursos — públicos, privados ou híbridos — em nível local, nacional ou internacional, destinados a ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Isso inclui, por exemplo, a instalação de sistemas de energia renovável para pequenos agricultores ou projetos de restauração de áreas degradadas.
Portanto, o financiamento climático é fundamental para viabilizar a descarbonização da economia e acelerar a implementação de soluções climáticas. Para que isso aconteça, é preciso garantir que esse financiamento seja justo, eficiente e acessível. E é exatamente nas COPs que esses compromissos ganham forma.
Financiamento climático na COP
As COPs são o principal espaço de negociação global sobre as mudanças climáticas. É durante esses eventos que os países estabelecem metas, firmam compromissos e discutem como financiar a transição para uma economia de baixo carbono e mais resiliente aos impactos climáticos.
O financiamento climático é uma pauta que está sempre presente nas conferências. Mas o marco real é o Acordo de Paris, estabelecido por 195 países na COP21, em 2015. Nele, foi estabelecido que os países desenvolvidos deveriam investir 100 bilhões de dólares por ano em medidas de combate à mudança do clima e adaptação, em países em desenvolvimento.
No entanto, segundo dados do Climate Policy Initiative, o volume médio anual de financiamento climático chegou a cerca de US$ 1,3 trilhão em 2021/2022 — equivalente a apenas 1% do PIB global. O valor ainda está muito abaixo dos US$ 8,1 trilhões por ano estimados como necessários pelo estudo até 2030.
Isso evidencia lacunas importantes: falta de recursos suficientes, dificuldades de acesso para os países e comunidades mais vulneráveis, e a necessidade de uma alocação mais justa e transparente.
Os desafios da COP30
Em 2025, o Brasil sediará, pela primeira vez, uma edição da Conferência das Partes. A COP30 acontecerá em Belém, na Amazônia. O evento marca os 10 anos do Acordo de Paris e os 33 anos da ECO-92, que também aconteceu no Brasil e deu origem à UNFCCC.
Como anfitrião, o Brasil terá um papel crucial na articulação de compromissos e ações concretas à altura da urgência climática. Um dos principais desafios será justamente avançar nas discussões sobre financiamento climático – não apenas para mitigação e adaptação, mas também para perdas e danos, especialmente em países mais vulneráveis.
Um problema que herdamos da COP29 foi justamente a necessidade de encaminharmos uma solução para o financiamento climático. No acordo estabelecido, os países desenvolvidos firmaram o compromisso de mobilizar US$ 300 bilhões por ano até 2035, muito abaixo dos US$ 1,3 trilhão solicitados. A discrepância foi alvo de críticas e levantou questões que seguem em aberto, como a origem dos recursos e a transparência de suas aplicações.
Mais do que aumentar valores, é preciso estruturar mecanismos eficazes, auditáveis e acessíveis, especialmente para os países e territórios mais impactados pelas mudanças climáticas.

Fontes de financiamento
O financiamento climático pode ser mobilizado a partir de diferentes fontes – públicas, privadas, bilaterais e multilaterais – que atuam de forma complementar.
Fontes públicas
- Governos nacionais, que financiam ações internas ou internacionais.;
- Fundos multilaterais, como o Fundo Verde para o Clima (GCF) e o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF);
- Mecanismos da ONU, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).
Fontes privadas
- Empresas que financiam ações climáticas;
- Famílias que financiam ações climáticas através de doações ou investimento de impacto;
- Empréstimos e créditos climáticos para projetos sustentáveis.
Fontes bilaterais
- Organizações fundadas por um único país, como bancos e agências de desenvolvimento.
Fontes multilaterais
- Bancos multilaterais de desenvolvimento, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial
O papel do setor privado é cada vez mais relevante, especialmente em um contexto no qual o setor governamental já mostrou que, sozinho, não possui recursos suficientes para destravar essa agenda. Para ampliar a participação privada, é essencial garantir uma estrutura de governança robusta, com estratégias claras, métricas de impacto e avaliação de riscos sistêmicos. O financiamento climático também representa uma oportunidade para investidores que buscam retornos sustentáveis e alinhados a propósitos socioambientais.
Financiamento climático na prática
A Sitawi Finanças do Bem atua no desenvolvimento de soluções financeiras inovadoras para conservar a biodiversidade e enfrentar os desafios climáticos, aliando impacto socioambiental positivo à sustentabilidade econômica.
Colaboramos com organizações e empresas e ajudamos a identificar os instrumentos financeiros mais adequados para cada território, bioma e realidade, destravando recursos por meio de mecanismos como blended finance, investimento de impacto e REDD+.
Com base em análises econômicas, financeiras e socioambientais, ajudamos a transformar intenções em projetos estruturados, capazes de atrair capital, gerar impacto real e escalar soluções para o clima.
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