Nos anos 80, no interior do Amazonas, no Médio Juruá, os moradores não tinham liberdade para plantar e pescar. Eram obrigados a adquirir alimentos nos barracões administrados pelos “patrões”, com quem tinham dívidas intermináveis.
Uma obra que foi fundamental para denunciar esses e outros problemas sociais da região para promover mudanças foi o livro “Reserva Extrativista — Mais vida neste chão”, lançado em 1992. Os autores são os padres João Derickx e José Antonia Transferetti.
Anos depois, o Fundo História e Cultura do Médio Juruá, que conta com a gestão financeira da Sitawi, promoveu a reedição do livro feito pela demanda das lideranças locais para resgatar histórias e apoiar na conscientização e a organização da população.
Agora você pode encontrá-lo em nosso site no formato digital! . A ideia é que esse material possa ser utilizado pelas jovens lideranças do — território, que fica em Carauari, no Amazonas, como ponto central. Segundo os idealizadores do projeto, o livro é uma maneira de garantir a mobilização social do Médio Juruá no futuro. É o que confirma Pedro Penido, gestor do Fundo:
“Conversando com as lideranças locais, percebi que resgatar o processo de transformação do Médio Juruá é uma forma de celebrar os avanços sociais e ambientais que ocorreram no território. Mas também é mais do que isso. A expectativa é que a reedição desse livro não só traga novamente à tona a história deste local, mas permita que as novas gerações – que não participaram desse processo – entendam a importância da mobilização comunitária e dêem continuidade nesse movimento.”, ressalta Pedro.
Território sob as mãos do povo
Entre os muitos feitos da publicação deste livro no último século, estão a organização social, a capacitação de lideranças e a denúncia do sistema de semiescravidão que acontecia na região. Todos esses fatores culminaram no Médio Juruá que existe hoje: um território empoderado e que, através da governança, promove o seu desenvolvimento sustentável.
Lucinete Viana, analista de Gestão de Filantropia da Sitawi e moradora do Médio Juruá, conta um pouco do processo de transformação socioambiental que ocorreu após a organização comunitária e como o novo manuscrito poderá contribuir para a perenidade dessa mobilização coletiva:
“A região era marcada por um histórico de muitas dificuldades e falta de desenvolvimento socioeconômico. A população local enfrentava desafios como falta de acesso a serviços básicos, como saúde e educação, além da ausência de infraestrutura adequada e grande ausência de liberdade. O livro possibilitou mais autonomia na busca por seus direitos e qualidade de vida.”, comenta Lucinete.
Esta reedição do livro inclui todas as informações das edições de 1992 e 2007, e informações sobre esta reedição ampliada, além de mapas da região. A edição de 2023 traz ainda mais riqueza de detalhes para uma obra que promoveu profundas mudanças socioeconômicas para o Médio Juruá.