Em novembro de 2025, Belém se tornou o centro das discussões climáticas globais. Pela primeira vez, uma Conferência das Partes (COP) foi realizada no coração da Amazônia, um símbolo poderoso da urgência climática e da centralidade das florestas tropicais nas soluções para a crise. A COP30 reuniu mais de 513 mil participantes entre as zonas oficial e paralela, tornando-se uma das edições mais participativas da história.
Mas o que é a COP? O que foi decidido em Belém? E o que ficou de fora? Este artigo reúne as principais informações para entender a conferência, sua trajetória histórica e o balanço da edição brasileira.
O que é a COP?
As Conferências das Partes (COPs) são encontros oficiais que reúnem os países signatários de tratados internacionais (denominados Países Partes) para discutir compromissos, oportunidades e necessidades globais. As discussões podem envolver representantes de governos, sociedade civil, setor privado e academia. Além das sessões formais, também ocorrem eventos paralelos, que muitas vezes influenciam o rumo das decisões.
As COPs do Clima são realizadas anualmente desde 1995, no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC): um tratado internacional criado em 1992, durante a Cúpula da Terra (ECO-92), no Rio de Janeiro. Essas conferências nasceram como uma resposta global à crescente preocupação científica com as mudanças climáticas.
Objetivo
A conferência tem como objetivo mobilizar os países a adotarem medidas efetivas diante da crise climática.
Nesse fórum global, governos e demais atores avaliam o progresso coletivo em relação ao Acordo de Paris e negociam novos compromissos concretos, como a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e o financiamento climático.
Ao final de cada COP, é assinado um documento com acordos formais, compromissos políticos, planos de ação e diretrizes para implementação dos acordos, que precisam ser consensuais e válidos para todos os países signatários da UNFCCC. Todas as partes têm direito a voto.
Como surgiu a COP?
A origem das COPs remonta à Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (RIO-92 ou ECO-92), realizada no Rio de Janeiro. Dela surgiram três convenções internacionais legalmente vinculantes:
- Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC)
- Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD)
Essas convenções definiram compromissos globais para políticas nacionais e ações de cooperação internacional voltadas ao enfrentamento das crises socioambientais.
A RIO-92 reuniu representantes de 175 países e gerou documentos orientadores, como a Agenda 21 e a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que influenciam até hoje a governança ambiental global.
Destaques das COPs
A seguir, uma breve linha do tempo com os principais marcos desde a primeira edição:
COP 1 | Berlim, Alemanha (1995)
- A primeira COP resultou no Mandato de Berlim, que estabeleceu metas de redução de emissões de gases de efeito estufa para países desenvolvidos e incentivos à transferência de tecnologia.
COP 2 | Genebra, Suiça (1996)
- Discutiu a criação de um fundo para apoiar países em desenvolvimento na execução de programas desenvolver programas com objetivos climáticos.
COP 3 | Kyoto, Japão (1997)
- Criou o Protocolo de Kyoto, primeiro grande acordo da COP, com meta de redução de 5,2% das emissões em relação a 1990, com maiores responsabilidades sobre os países industrializados.
COP 4 | Buenos Aires, Argentina (1998)
- Debateu a implementação prática do Protocolo de Kyoto.
COP 5 | Bonn, Alemanha (1999)
- Incluiu discussões sobre o uso da terra e o papel das florestas e do reflorestamento no aquecimento global.
COP 6 | Haia, Holanda (2000)
- Marcada pela falta de consenso entre os demais países e os EUA, que deixaram o Protocolo de Kyoto, travando negociações sobre mercado de carbono e financiamento climático.
COP 7 | Marrakech, Marrocos (2001)
- Estabeleceu os Acordos de Marrakech, detalhando as regras para implementação do Protocolo de Kyoto e criou o Fundo Especial para Mudanças Climáticas.
COP 8 | Nova Delhi, Índia (2002)
- Ampliou a participação da sociedade civil, ONGs e setor privado nas ações climáticas.
COP 9 | Milão, Itália (2003)
- Focou em projetos de reflorestamento e mercado de créditos de carbono.
COP 10 | Buenos Aires, Argentina (2004)
- Consolidou as regras de implementação do Protocolo de Kyoto, que entraria em vigor no ano seguinte.
COP 11 | Montreal, Canadá (2005)
- Primeira conferência após o Protocolo de Kyoto entrar em vigor. Abordou o desmatamento e o uso da terra como fatores críticos no aquecimento global.
COP 12 | Nairóbi, Quênia (2006)
- Avaliou os resultados iniciais do Protocolo de Kyoto. O Brasil apresentou proposta pioneira para reduzir emissões causadas pelo desmatamento em países em desenvolvimento.
COP 13 | Bali, Indonésia (2007)
- Estabeleceu prazo para que países em desenvolvimento apresentassem metas para reduzir as emissões oriundas do desmatamento.
COP 14 | Poznań, Polônia (2008)
- Iniciou oficialmente as negociações para um novo acordo global, além de ampliar o engajamento dos países emergentes.
COP 15 | Copenhague, Dinamarca (2009)
- Apesar das altas expectativas, não houve consenso sobre um novo tratado. Ainda assim, foi acordado o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 2 °C.
COP 16 | Cancún, México (2010)
- Criou o Fundo Verde do Clima, para apoiar países em desenvolvimento na transição para economias de baixo carbono.
COP 17 | Durban, África do Sul (2011)
- Iniciou as discussões sobre um sobre novas metas de redução de emissões.
COP 18 | Doha, Catar (2012)
- Aprovou a segunda fase do Protocolo de Kyoto, estendendo-o até 2020, mas sem definir detalhes
COP 19 | Varsóvia, Polônia (2013)
- Apesar das expectativas de definir um acordo para substituir o Protocolo de Kyoto, houve discordâncias entre países desenvolvidos e os países em desenvolvimento em relação a financiamento climático.
COP 20 | Lima, Peru (2014)
- Definiu o rascunho do Acordo de Paris, que seria negociado e aprovado no ano seguinte.
COP 21 | Paris, França (2015)
- Firmou o Acordo de Paris, que uniu quase todos os países do mundo no compromisso de limitar o aquecimento global a 1,5 °C.
COP 22 | Marrakech, Marrocos (2016)
- Primeira COP após o Acordo de Paris. Focou na criação de planos nacionais para implementação das metas.
COP 23 | Bonn, Alemanha (2017)
- Destacou a importância de reduzir o uso de combustíveis fósseis e ampliar fontes renováveis.
COP 24 | Katowice, Polônia (2018)
- A reunião estabeleceu um conjunto de diretrizes detalhadas sobre como os países deveriam prestar contas de seus esforços para reduzir as emissões de forma transparente.
COP 25 | Madri, Espanha (2019)
- Houve cobranças por iniciativas mais ambiciosas contra o aquecimento global para frear as mudanças climáticas.
COP 26 | Glasgow, Escócia (2021)
- Aprovou o Pacto Climático de Glasgow, que definiu as diretrizes do Acordo de Paris e incentivou metas mais ambiciosas.
COP 27 | Sharm El Sheikh, Egito (2022)
- Um fundo de financiamento foi estabelecido para apoiar países em desenvolvimento na luta contra as mudanças climáticas. Porém, as discussões relacionadas ao uso de combustíveis fósseis e ao mercado de créditos de carbono não tiveram progresso.
COP 28 | Dubai, Emirados Árabes Unidos (2023)
- Reconheceu oficialmente a necessidade de reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis e acelerar a transição energética, embora sem metas claras.
COP 29 | Baku, Azerbaijão (2024)
- Firmou um novo acordo de financiamento climático, comprometendo países desenvolvidos a mobilizar US$ 300 bilhões por ano até 2035, valor considerado insuficiente por especialistas.

A COP 30: Belém no centro do mundo
A escolha de Belém (PA) como sede da COP 30 foi anunciada em novembro de 2022, durante a COP 27. A conferência deve ampliar a visibilidade dos desafios e das soluções voltadas à conservação da Amazônia. O evento evidencia o potencial do Brasil na liderança na transição para uma economia de baixo carbono, baseada em energia renovável, bioeconomia e agricultura sustentável.
Marcada para acontecer entre 10 e 21 de novembro de 2025, a COP 30 transformou Belém no centro das discussões globais sobre clima, reunindo líderes e especialistas em sessões plenárias, eventos paralelos e atividades culturais que dialogam com a diversidade amazônica.
Estrutura e agenda da COP 30
Local
O evento foi realizado no Parque da Cidade, um antigo aeroporto adaptado especialmente para a conferência, com área de 500 mil m² e acessibilidade aprovada pela UNFCCC. Após o evento, o local será transformado em um parque público, um dos legados da COP 30.
Zonas da conferência
- Blue Zone: espaço exclusivo para negociações oficiais entre delegados de países, ONGs credenciadas e outras entidades observadoras. Também é o local em que estão os pavilhões dos países e onde são realizados os eventos do organizador local e outras atividades paralelas;
- Green Zone: área aberta para eventos paralelos, workshops e exposições promovidas por ONGs, empresas e instituições acadêmicas. É um espaço para engajar diferentes setores na agenda climática.
- Yellow Zone: Iniciativa inédita da sociedade civil em Belém, criada para descentralizar o debate climático e promover ações diretamente em comunidades periféricas da cidade. Serão espaços de eventos que visam ampliar a participação popular e elevar a conscientização ambiental.
Agenda da COP 30:
- 6 e 7 de novembro: Cúpula de Líderes, com chefes de Estado e representantes de governos.
- 10 a 21 de novembro: período principal da conferência, com negociações oficiais.
Dias temáticos da COP 30
A COP 30 foi estruturada em dias temáticos, com foco em diferentes eixos da agenda climática:
| 10–11 de novembro | Adaptação, Cidades, Infraestrutura, Água, Resíduos, Governos Locais, Bioeconomia, Economia Circular e Turismo; |
| 12–13 de novembro | Saúde, Empregos, Educação, Cultura, Justiça e direitos humanos, Integridade da informação e Trabalhadores. Estes dias também introduzem o Balanço Ético Global, reforçando a equidade e a responsabilidade moral na governança climática; |
| 14–15 de novembro | Energia, Indústria, Transporte, Comércio, Finanças, Mercados de carbono e Gases não-CO₂; |
| 17–18 de novembro | Florestas, Oceanos e Biodiversidade, enquanto destacam os Povos indígenas, Comunidades locais e tradicionais, Crianças e a Juventude e Pequenos e médios empreendedores, mostrando soluções inclusivas, com base na realidade e alinhadas com a natureza; |
| 19–20 de novembro | Agricultura, Sistemas alimentares e segurança alimentar, Pesca e Agricultura familiar. Enfatizarão também debates relacionados a Mulheres, Gênero e Pessoas Negras. Além disso, os últimos dias temáticos se concentrarão em Ciência, Tecnologia e Inteligência Artificial. |
Principais Temas
Amazônia e Bioeconomia – o Brasil teve a oportunidade de colocar a Amazônia no centro das soluções climáticas, impulsionando a bioeconomia, modelo que alia inovação, conservação ambiental e inclusão social.
- Expectativas para a COP 30: Fortalecimento de debates sobre bioinovação e acordos que facilitem o comércio internacional de produtos da bioeconomia; Financiamento e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis.
Mitigação das Mudanças Climáticas – estratégias para reduzir as emissões de GEE, como políticas de descarbonização, transição energética, reflorestamento e eficiência energética.
- Expectativas para a COP 30: pressão para a atualização das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) com metas mais ambiciosas.
Adaptação às Mudanças Climáticas – medidas urgentes para reduzir a vulnerabilidade de ecossistemas e comunidades, com foco em infraestrutura resiliente, restauração de ecossistemas e soluções baseadas na natureza (SbN).
- Expectativas para a COP 30: aumento da pressão para que países ricos elevem o financiamento climático, estimado em US$ 1,3 trilhão/ano, muito acima dos US$ 300 bilhões acordados na COP 29.
Justiça Climática – reconhecimento de que países e corporações historicamente mais emissores devem arcar com os custos da crise, enquanto as comunidades mais vulneráveis precisam de apoio para adaptação.
- Expectativas para a COP 30: aumento do financiamento para US$ 1 trilhão/ano e avanços em temas como transição energética justa, direitos de povos tradicionais, migração climática, agricultura resiliente e gênero.
Perdas de Danos – impactos mais graves das mudanças climáticas, como destruição de cidades e perda de culturas e ecossistemas.
- Expectativas para a COP 30: pressão para que países desenvolvidos aumentem contribuições e definição de fontes inovadoras de financiamento; Debates sobre taxação de lucros de petrolíferas e redirecionamento de subsídios a combustíveis fósseis.
Mercado de Carbono – mecanismo que permite a compensação de emissões por meio da compra e venda de créditos de carbono. O Artigo 6 do Acordo de Paris define suas regras e transparência.
- Expectativas para a COP 30: Consolidação de critérios globais para projetos de carbono; Salvaguardas socioambientais e harmonização entre mercados regulados e voluntários.
O que esperavamos da COP 30
A COP 30 já começou com um marco: pela primeira vez, as discussões sobre o futuro climático do planeta acontecerão no coração da Amazônia, que representa, ao mesmo tempo, os maiores desafios e as soluções mais promissoras para a crise climática global.
Os próximos anos serão decisivos para transformar promessas em ações concretas. A implementação dos compromissos firmados nas últimas conferências exigirá cooperação internacional, financiamento justo e inovação em larga escala. E, nesse cenário, o Brasil teve a oportunidade de exercer uma liderança que una ciência, sustentabilidade e justiça social.
A COP 30 foi um convite à ação. Mas, para gerar resultados reais, o impacto dessa conferência precisava ecoar muito além da Amazônia, inspirando uma nova era de compromissos e soluções efetivas para o clima e para a natureza.
COP30 em Belém: o que foi decidido
A COP30 foi apresentada como a COP da “implementação” — dez anos após o Acordo de Paris, cobrava-se que os países demonstrassem capacidade de avançar na execução de compromissos concretos. O saldo foi de avanços relevantes em financiamento, inclusão e florestas, com lacunas significativas em combustíveis fósseis e desmatamento.
Financiamento climático
Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) – o principal resultado financeiro da COP30 foi o lançamento oficial do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposta brasileira que cria um mecanismo permanente de remuneração para países que conservam suas florestas tropicais. A lógica é inverter a equação econômica do desmatamento: tornar mais vantajoso conservar do que destruir. Um grupo inicial de países — incluindo Brasil, Indonésia, França, Alemanha e Noruega — anunciou aproximadamente US$ 6 bilhões, com meta de alcançar US$ 25 bilhões.
Triplicação do financiamento para adaptação até 2035 – a COP30 aprovou a recomendação de triplicar o financiamento global para adaptação até 2035, resposta à expiração do compromisso de Glasgow de dobrar esses recursos. Da meta de US$ 1,3 trilhão anuais para países em desenvolvimento, cerca de US$ 120 bilhões/ano deverão ser destinados à adaptação. Persiste, no entanto, incerteza sobre como esses recursos serão levantados e como chegarão efetivamente às populações vulneráveis.
Roteiro “Baku a Belém” – elaborado pelas presidências da COP29 e COP30, o roteiro descreve ações para ampliar o financiamento climático público e privado e alcançar a meta de US$ 1,3 trilhão/ano até 2035. O documento reconhece que todas as fontes de financiamento devem contribuir e que o sistema financeiro global precisa se reorientar de forma integrada. Os países concordaram em avançar “com urgência”, embora as recomendações não tenham sido aprofundadas nas negociações.
Responsabilidades históricas: Artigos 9.1 e 2.1(c) – após pressão de países em desenvolvimento, foi aprovado um programa de trabalho de dois anos sobre o Artigo 9.1 — que define o compromisso dos países ricos com o financiamento climático — e um diálogo formal sobre o Artigo 2.1(c), que trata do alinhamento dos fluxos financeiros globais com as metas do Acordo de Paris. O debate evidencia uma tensão central: não basta mobilizar mais capital, é preciso parar de financiar o que destrói, como subsídios a combustíveis fósseis e cadeias ligadas ao desmatamento.
Inclusão social e justiça climática
A COP30 registrou presença recorde de grupos historicamente marginalizados nas negociações climáticas: povos indígenas, ribeirinhos, agricultores familiares, moradores de periferias, jovens e comunidades afetadas por desastres. Mais de 2,5 mil representantes indígenas participaram, com três documentos reconhecendo seu papel tanto como guardiões da floresta quanto como agentes de inovação.
Foi criado o Mecanismo de Transição Justa, que reforça a cooperação internacional e reconhece que a transição climática exige integrar justiça social às metas ambientais. Também foi aprovado um novo Plano de Ação de Gênero, com financiamento sensível ao gênero e fortalecimento da liderança de mulheres indígenas, negras e rurais.
Florestas, natureza e bioeconomia
O compromisso Forest and Land Tenure foi renovado com US$ 1,8 bilhão até 2030, ampliando o escopo para além das florestas — incluindo savanas, manguezais e outros ecossistemas. Foi lançado o Bioeconomy Challenge, plataforma global para impulsionar investimentos em mercados sustentáveis da economia florestal. O Brasil também aderiu ao Painel do Oceano, voltado à gestão sustentável das águas territoriais até 2030.
NDCs e lacunas de ambição
Até o encerramento da COP30, 119 países — representando 74% das emissões globais — haviam apresentado novas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas). No entanto, estimativas indicam que, somadas, essas metas entregam menos de 15% das reduções necessárias até 2035 para limitar o aquecimento a 1,5°C.
Em resposta, a COP lançou o Acelerador Global de Implementação e a Missão Belém para 1,5°C, iniciativas para apoiar a execução de NDCs e Planos Nacionais de Adaptação. Ambas evitam mencionar combustíveis fósseis, um dos principais impasses da conferência.
O que ficou de fora da COP30
A frustração mais evidente foi a ausência de qualquer orientação sobre redução do uso de combustíveis fósseis. Apesar da pressão de mais de 80 países por um roteiro global de eliminação progressiva, o texto final não trouxe referências explícitas ao tema.
Também não houve acordo sobre um plano global para zerar o desmatamento. O lançamento do TFFF pelo Brasil foi um avanço unilateral relevante, mas a conferência não produziu um roteiro multilateral com metas e prazos.
Na adaptação, os 59 indicadores da Meta Global de Adaptação (GGA) foram formalmente adotados, mas mudanças de última hora no texto geraram objeções sobre mensurabilidade e rigor técnico. O tema será retomado em Bonn, em 2026, por meio da Visão Belém–Addis.
O que a COP30 deixou claro
A COP30 reforçou uma conclusão que vem ganhando consenso nas negociações multilaterais: sem mecanismos financeiros robustos, previsíveis e acessíveis, nenhum avanço em mitigação, adaptação, proteção de florestas ou justiça climática será suficiente.
Financiamento climático não é apenas uma questão de mobilizar novos recursos, mas sim sobre reorientar o sistema financeiro global para responder à urgência da crise e às necessidades dos países mais vulneráveis. As escolhas financeiras feitas agora determinarão a velocidade e a efetividade da transição climática nas próximas décadas.
É nesse campo que a Sitawi Finanças do Bem atua: desenvolvendo e gerindo mecanismos financeiros inovadores que conectam atores públicos, privados e filantrópicos para viabilizar soluções concretas aos desafios climáticos e socioambientais mais urgentes. Com expertise em blended finance, gestão de fundos filantrópicos e finanças de conservação, a Sitawi opera como ponte entre financiadores e iniciativas locais, garantindo que os recursos cheguem a quem precisa, com rastreabilidade, transparência e mensuração de impacto.

Perguntas frequentes sobre a COP
É a Conferência das Partes da UNFCCC, o principal fórum multilateral sobre mudanças climáticas, realizado anualmente desde 1995. Reúne governos, sociedade civil, setor privado e academia para negociar compromissos e avaliar o progresso coletivo diante da crise climática.
A COP30 foi realizada em Belém (PA), entre 10 e 21 de novembro de 2025, com Cúpula de Líderes nos dias 6 e 7 de novembro. Foi a primeira COP sediada na Amazônia.
O resultado mais destacado foi o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo permanente de remuneração para países que conservam suas florestas. Houve também avanços em financiamento para adaptação, justiça climática e participação indígena.
O Acordo de Paris foi firmado na COP21 (Paris, 2015) e estabelece o compromisso global de limitar o aquecimento a 1,5°C. As COPs subsequentes acompanham sua implementação, atualizam as metas nacionais (NDCs) e negociam os mecanismos de financiamento necessários para cumpri-lo.
As NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) são os planos de cada país para reduzir emissões de gases de efeito estufa e se adaptar às mudanças climáticas. Devem ser atualizadas periodicamente e são o principal instrumento de implementação do Acordo de Paris.
O financiamento climático é um dos temas centrais de cada COP, especialmente o compromisso dos países desenvolvidos de apoiar financeiramente os países em desenvolvimento na mitigação e adaptação. Na COP30, o debate girou em torno da meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão/ano até 2035 e de como estruturar fluxos financeiros mais eficientes e acessíveis.