O que é financiamento climático e qual a sua importância 

Mãos segurando cuidadosamente um pequeno broto verde que cresce sobre um punhado de moedas, representando a união entre recursos financeiros e preservação ambiental. A imagem simboliza o conceito de financiamento climático, essencial para viabilizar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, promovendo uma economia mais resiliente e sustentável.

À medida que a temperatura média global vem aumentando constantemente, estamos ficando sem tempo para frear as mudanças climáticas e os custos do atraso na tomada de decisões e execução de ações já vem tomando enormes proporções. 

Dessa forma, é necessário desenvolver estratégias que promovam a transição para uma economia de baixo carbono, atividades de mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e adaptação aos impactos das mudanças climáticas. E isso só será possível com o financiamento climático

O que é financiamento climático? 

De acordo com a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), o financiamento climático é o financiamento local, nacional ou transnacional proveniente de fontes públicas, privadas e alternativas, que visa apoiar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, como a instalação de energia renovável para pequenos agricultores ou a restauração de áreas degradadas. 

Este financiamento visa diminuir as emissões de gases de efeito estufa, além de reduzir a vulnerabilidade e melhorar a resiliência dos sistemas humanos e ecológicos frente aos impactos adversos das mudanças climáticas.

Panorama do Financiamento Climático

Os esforços para organizar e desenvolver o financiamento climático têm sido pauta na governança internacional do clima desde a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Conhecida também como Cúpula da Terra ou oficialmente como Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, essa conferência é um marco na luta contra as mudanças climáticas. Foi a primeira a reunir em grande escala governos, sociedade civil e setor privado para estabelecer medidas voltadas para enfrentar o aumento das emissões de gases de efeito estufa. 

Mas o marco real para o financiamento climático foi o Acordo de Paris, estabelecido por 195 países na 21ª Conferência das Partes (COP21), em 2015. Esse acordo assumiu o compromisso de reduzir imediatamente as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) com o objetivo de manter o aumento da temperatura global bem abaixo dos 2°C e, idealmente, limitar o aumento a 1,5°C

Ainda assim, de acordo com relatório do Climate Policy Iniciative, o volume médio anual de financiamento climático atingiu cerca de US$ 1,3 trilhão em 2021/2022, o que corresponde a 1% do PIB global. Este valor está significativamente abaixo dos aproximadamente US$ 8,1 trilhões estimados como necessários anualmente até 2030. 

Nesse sentido, é evidente que, apesar dos esforços realizados, existem desafios significativos associados ao financiamento climático. Entre eles estão a mobilização de recursos suficientes para atingir as metas climáticas estabelecidas, a definição de prioridades para a alocação dos recursos e a distribuição dos fundos de maneira justa, eficaz e transparente. 

Formas de destravar recursos para o clima

Existem algumas formas de promover o financiamento climático, incluindo as abordagens pública e privada. O financiamento climático público é composto por recursos obtidos através de impostos e outras receitas do governo, destinados a iniciativas tanto internacionais quanto nacionais. Já o privado, refere-se à quantia concedida pelo setor privado — empresas e bancos, por exemplo. 

Porém, é importante destacar que o setor governamental, sozinho, não possui recursos suficientes para destravar essa agenda. Por isso, o setor privado desempenha um papel crucial no incentivo às ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Além de beneficiar a sociedade, o financiamento climático oferece uma oportunidade para que os investidores obtenham retornos sustentáveis de longo prazo e apoiem projetos inovadores que promovam impacto socioambiental positivo e sejam rentáveis. Portanto, é essencial contar com uma estrutura de governança sólida, com estratégias, metodologias e métricas capazes de avaliar riscos sistêmicos, para aumentar os investimentos privados. 

De forma complementar, tem-se discutido amplamente um modelo inovador de financiamento para projetos alinhados com a Agenda 2030 da ONU, conhecido como Finanças Híbridas ou Blended finance. Esse instrumento trata-se da combinação de recursos públicos, filantrópicos ou privados para gerar impacto positivo tanto para os investidores quanto para as comunidades e a natureza. 

Não há dúvidas sobre a importância do financiamento climático para alcançar a descarbonização dos diversos setores da economia e promover maior resiliência por meio da implementação de ações de adaptação frente aos impactos climáticos que já fazem parte do nosso cotidiano. Por isso, é necessário intensificar os esforços conjuntos para garantir um financiamento climático justo e eficaz. 

Tipos de fundos para financiamento climático

O financiamento climático é um tema abrangente, que pode envolver uma grande quantidade de instituições

Conheça algumas opções de Fundos para o financiamento: 

  • Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC): financia projetos, estudos e empreendimentos para a mitigação da mudança do clima e para a adaptação a seus efeitos. É vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) e disponibiliza recursos em duas modalidades: reembolsável e não-reembolsável; 
  • Fundo Amazônia: atua em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, e de promoção da conservação e do uso sustentável da Amazônia Legal. Até 20% dos recursos podem ser usados para apoiar o desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento em outros biomas brasileiros e em outros países tropicais; 
  • Fundo Verde para o Clima: atua no financiamento de iniciativas de mitigação de gases de efeito estufa e iniciativas de adaptação à mudança do clima nos países em desenvolvimento.

Financiamento climático no Brasil

Na presidência do G20 este ano e como sede da COP30, em 2025, o Brasil tem a oportunidade de liderar pelo exemplo, promovendo a restauração da natureza e o desenvolvimento social por meio de soluções financeiras inovadoras que atendam às necessidades nacionais e abram portas para outros países em desenvolvimento. 

Países com grandes áreas florestais e biodiversidade, como o Brasil, possuem um potencial significativo de mobilizar recursos para soluções baseadas na natureza, ao mesmo tempo em que contribuem para o desenvolvimento social por meio da geração de empregos e renda

No Brasil, reduzir o desmatamento é uma maneira potente de cortar emissões, já que só a Floresta Tropical Amazônica estoca o equivalente a 442 bilhões de toneladas de CO22. Portanto, os mecanismos de Redução das Emissões de Desmatamento e Degradação (REDD), aliados a ações de conservação, manejo florestal sustentável e incremento de estoque de carbono florestal (REDD+), têm conquistado espaço importante na discussão nacional e no interesse internacional. 

Nesse contexto, é crucial destacar a importância de uma transição energética justa, o combate ao desmatamento e práticas ilegais na Amazônia, além do desenvolvimento de projetos de bioeconomia que sejam socialmente inclusivos. 

Financiamento climático na prática

Entendemos que a urgência e a complexidade das mudanças climáticas exigem processos de financiamento inovadores, que tornem possíveis soluções efetivas para conservar a natureza e para enfrentar os desafios climáticos

Para isso, a Sitawi Finanças do Bem desenvolve soluções financeiras para a enfrentar as mudanças climáticas, com o objetivo de encontrar o melhor instrumento financeiro para cada bioma e necessidade. Por exemplo, nosso papel no financiamento climático através de mecanismos de REDD+ é traduzir essas oportunidades em impactos positivos para as pessoas e a natureza através da implementação de salvaguardas socioambientais, bem como o desenvolvimento de fundos de repartição de benefícios. Adicionalmente, unindo recursos governamentais, privados e filantrópicos, entendemos quais são as outras opções para se investir na natureza e gerar impacto socioambiental e financeiro positivo. 

Tem interesse em desenvolver uma solução financeira que promove impacto positivo para as pessoas e a natureza? Fale com a gente!

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